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O Centro do Professorado Paulista, por meio do segundo vice-presidente, Azuaite Martins de França, tem articulado propostas para que a entidade crie o Observatório da Violência nas Escolas, a fim de mobilizar a comunidade escolar, governo e setores da sociedade no enfrentamento do problema que gera crescente preocupação.

“Os episódios graves ocorridos recentemente, como a tragédia de Aracruz (ES) e atos de vandalismo de inspiração neonazista em Contagem (MG), se juntaram a outros casos registrados em escolas do país, indicando que alternativas devem ser buscadas para a prevenção da violência no âmbito escolar”, afirma França.

Segundo ele, a persistência da violência preocupa e requer uma resposta articulada da sociedade, e o papel de uma entidade como o CPP é buscar a conscientização sobre as formas de enfrentar o problema. “O observatório significa atuar na prevenção. Observar, agir, questionar, cobrar as autoridades para que sejam implantadas políticas públicas de enfrentamento à violência nas escolas adequadas à realidade de cada município”, ressalta.

Para ele, a partir de um diagnóstico amplo de ocorrências localizadas, poderão ser buscadas soluções práticas para a tomada de providências voltadas à proteção de quem trabalha e estuda nas escolas. Ainda reconhece que a questão é complexa, porém assinala que o Centro do Professorado Paulista poderá dar o pontapé inicial de um projeto com essa finalidade.

A abrangência do CPP, que está presente em 90 regiões do estado de São Paulo, o credencia a ser um articulador de ações nesse sentido. O observatório poderá integrar uma estrutura que tenha a contribuição de órgãos e instituições da sociedade civil (ONGs, igrejas, imprensa), e que governo (secretarias de Educação e da Segurança) e instituições como Ministério Público universidades poderão compor o observatório de modo a oportunizar medidas concretas em apoio às escolas públicas (estaduais e municipais) e particulares, para que não estejam vulneráveis a episódios de violência.

O observatório, no ponto de vista do CPP, será importantíssimo para melhorar o conhecimento da realidade das escolas, modificar mentalidades e mostrar que é possível enfrentar o problema combinando a legislação com instrumentos que permitam o controle da violência.

“Atos violentos em escolas são em geral entendidos como caso de polícia, que requerem repressão, mas é preciso ter uma política de enfrentamento não só pela força, mas buscarmos outras maneiras para criar uma cultura de não violência, propõe o segundo vice do CPP.

A ideia prevê reunir dados para a construção de indicadores que permitirão a elaboração, o monitoramento e a avaliação das políticas e ações de prevenção e de enfrentamento à violência.