No ano em que a menção ao combate à desigualdade entre homens e mulheres foi retirada de vários planos municipais e estaduais de educação, a persistência da violência contra a mulher no País foi o tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizado neste domingo (25). A proposta, para especialistas, sinaliza a importância de tratar o assunto, tanto na educação básica quanto na universidade.

 

Para escrever o texto, os candidatos contaram com uma coletânea de dados que evidenciava a violência de gênero no País. “Esse tema (violência contra a mulher) precisa ser debatido na escola. Queremos que os jovens melhorem a sociedade e que exista uma superação geracional do machismo. Para isso, eles precisam debater o assunto”, defende Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

 

Em vários planos de educação, como o da cidade de São Paulo, metas sobre o combate à desigualdade de gênero e a discussão sobre sexualidade nas escolas foram excluídas após pressão de grupos conservadores e lideranças religiosas. Já a proposta de currículo nacional para a educação básica, apresentada pelo Ministério da Educação (MEC) e ainda em consulta pública, tem referências ao tema. “O debate sobre igualdade de gênero deve ser uma política de Estado, independente de partidos”, diz Cara.

 

No sábado (24), a prova de Ciência Humanas já havia causado polêmica com uma questão sobre feminismo. A pergunta vinha acompanhada de um texto da filósofa francesa Simone de Beauvoir. Entre os críticos, estavam os deputados federais Jair Bolsonaro (PP-RJ) e Pastor Marco Feliciano (PSC-SP). Feliciano afirmou, em uma rede social, que essa era uma tentativa de “impingir a teoria de gênero goela abaixo”, o que foi rebatido por internautas.

 

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, defendeu a abordagem do tema na prova. “As pessoas podem divergir, mas na Educação é preciso estar aberto a refletir, discutir”.

 

Secom/CPP – informações do jornal O Estado de São Paulo.