A discriminação racial já foi golpeada – mas ainda não morreu. Fortes e vexatórias resistências estão aí para serem vencidas.
 

O dia reservado à Consciência Negra, 20 de novembro, tem como foco a luta de um povo por uma sociedade com direitos e deveres a serem garantidos e respeitados.
 

O anseio histórico de Zumbi por liberdade deve ser lembrado para que o Brasil se esforce permanentemente para se tornar, em todas as áreas, uma grande nação. Até lá, precisa contemplar, de frente, a necessidade de priorizar a educação e valorizar seus profissionais para que, entre tantos problemas, conseguir superar o abismo racial.
 

Existe essa pedra no caminho. Enxergá-la para ultrapassá-la é um grande passo. Só assim propiciará aos seus filhos autoestima e segurança para construírem uma sociedade justa e igualitária.

Importante lembrar que só um ensino com excelência de qualidade dará ao nosso país a oportunidade de ver essa nova geração se tornar livre do medo e da opressão para estar voltada para o bem da sociedade onde vive.
 

Uma matéria do Estado de São Paulo, de Amcham Brasil, veiculada em 21 de junho 2017, aponta para a imensa dificuldade que as empresas no Brasil encontram em promover alguma iniciativa que vise à promoção de igualdade de oportunidades entre negros e brancos. A disparidade salarial é outro  grande desafio.
 

“Enfrentar estatísticas, preconceitos, um mercado de trabalho excludente e falta de oportunidades educacionais. Essa é a realidade da população negra no Brasil. Apesar de terem vivenciado uma melhora na condição de vida nos últimos anos, com maior inserção no ensino superior, o grupo continua a sofrer os impactos de um problema histórico do país. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano passado, entre 2005 e 2015, o percentual de negro e negras universitários saltou de 5,5% para 12,8%. No entanto, esse crescimento positivo não é igual quando a análise é a ocupação de vagas no mercado formal de trabalho.”
 

O IPEA (Instituto  de pesquisa econômica aplicada) é categórico:
 

“Embora melhores as condições de vida da população negra, políticas que ignorem a questão racial não ajudam a superar a expressão real do preconceito e da discriminação. O mesmo se dá no acesso à saúde ou no aproveitamento das oportunidades educacionais.
 

Na área da educação, por exemplo, é possível comemorar as reduções das diferenças entre negros e brancos em relação ao número de anos de estudo formal ou nos índices de analfabetismo. A taxa de analfabetismo em 1992 era de 10,6% para brancos e 25,7% para negros; em 2009, 5,94% para brancos e 13,42% para negros. Nesse período, embora tenha caído a desigualdade, a taxa dos negros permaneceu mais que duas vezes maior que a taxa da população branca, de acordo com dados do IBGE compilados pelo Ipea.

Por outro lado, o aumento das matrículas em creches ou pré-escolas é muito maior entre crianças brancas. A entrada no percurso escolar regular é mais atribulada para as crianças afrodescendentes.”
 

A nossa jovem democracia é quem pode garantir a composição de uma sociedade republicana embasada na ética e na liberdade. Somos um país de raça. Uma nação de imensuráveis valores. Terra fértil, onde as oportunidades devem chegar às mãos de todos.
 

“Construir pontes que aproximem as realidades de brancos e negros no Brasil é um desafio monumental de engenharia social e econômica”. A frase, de Cristina Charão, do IPEA, consegue resumir a necessidade dessa conexão.
 

Centro do Professorado Paulista – CPP