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Você já percebeu como, hoje em dia, muita gente acredita que a escola tem que resolver tudo? Ensinar matemática, português, cidadania, ética, empatia, valores… praticamente formar o ser humano completo.

Mas, calma lá: será que essa é mesmo a função exclusiva da escola?

Uma pesquisa feita pelo Inep, lá em 2005, ainda reflete o que vivemos hoje.

Muitos pais acreditam que somente os professores são os responsáveis pela qualidade do ensino e pelo incentivo aos alunos. Consequentemente, o resultado disso acaba sendo previsível: quando o filho vai bem, o mérito é da criança. Quando vai mal… a culpa recai no professor.

Mas a escola não existe para substituir a família, e sim para caminhar junto dela. O aprendizado é muito mais completo quando pais, professores e alunos puxam o mesmo fio.

E você, professor, mais do que ninguém, compreende o quanto pais presentes e conscientes fazem a diferença na formação de seus filhos.

O aprendizado vai muito além dos livros e da sala de aula e precisa acontecer com o apoio da família, pois ela continua sendo base fundamental do processo de desenvolvimento global de crianças e adolescentes.

É por essa razão que afirmo que escola e família devem estar integradas, caminhando lado a lado, em parceria constante. Os pais precisam enxergar na escola e nos professores, aliados na educação de seus filhos.

E os educadores, por sua vez, devem encontrar na família o respaldo e a confiança necessários para poderem ensinar com liberdade, propósito e amor.

Por isso, fica aqui o meu apelo: pais, observem as suas crianças! Ensinem limites, cultivem o respeito.

Participem e se envolvam em suas vidas acadêmicas. E não deleguem exclusivamente à escola uma função que também é de vocês! A de orientar, formar, cuidar e zelar pela educação de seu filho.

A criança é um espelho do que vive. Por isso, o bom exemplo em casa reforça o que se ensina na sala de aula e vice-versa.

Gentileza e responsabilidade não são matérias acadêmicas, mas pré-requisitos para qualquer aprendizado.

Talvez o primeiro passo para se chegar a isso seja simples: parar de transferir culpas e começar a dividir responsabilidades.

Porque, no fim, educar é um ato coletivo e é justamente nessa parceria que se forma, de verdade, o cidadão que a gente tanto diz querer ver no futuro.

E essa integração só acontecerá quando houver respeito mútuo, comunicação transparente e muita colaboração entre as partes. Só assim, juntos, construiremos um ambiente equilibrado, saudável e inspirador para nossos jovens.

*Silvio dos Santos Martins é presidente do Centro do Professorado Paulista