Quinta-feira (16), um adolescente de 14 anos colocou no status de seu WhatsApp que, ao chegar na escola, em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, mataria seus colegas, nos moldes do massacre de Suzano.
 

Ele foi levado à delegacia. Seria documentado um ato infracional de incitação de ameaça, mas o delegado decidiu registrar como incitação ao crime. Em depoimento, o jovem disse que era uma frase de um jogo de videogame.
 

Nos últimos cinco anos, a ameaça foi o segundo maior crime em volume registrado em estabelecimentos educacionais de São Paulo, incluindo escolas públicas e privadas, faculdades, cursinhos e cursos de idiomas. Entre janeiro de 2014 e março de 2019, foram registrados 16.073 boletins de ocorrência em todo o estado por este motivo.
 

O dado, da SSP (Secretaria da Segurança Pública), faz parte de um raio-x da violência nas escolas de São Paulo, obtido com exclusividade pelo UOL através da LAI (Lei de Acesso à Informação).
 

117 crimes por dia

Nos últimos cinco anos, foram registrados 225.522 boletins de ocorrência em estabelecimentos educacionais. O que representa uma média de 117 crimes por dia.
 

Entre as infrações, há registros de homicídios, estupros, apreensão irregular de arma de fogo, estelionato, calúnia, maus-tratos e até mesmo associação criminosa e captura de procurados. Entre alguns crimes, estão atenuantes de intolerância, como homofobia, transfobia, racismo e preconceito religioso. Apenas 1% desses crimes tem o registro em flagrante.  

 
“Faltam agentes de organização escolar” A reportagem entrevistou dois membros titulares da Comissão de Educação e Cultura da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) questionando quais medidas públicas poderiam ser realizadas para tentar diminuir o índice em um curto e em um longo prazo. 
 
Professora levou soco no rosto Há crimes além dos registrados acima, casos que não chegam até a delegacia. Um destes aconteceu recentemente em uma escola do bairro Tremembé, na zona norte da capital. Uma professora foi agredida com um soco no rosto por um aluno. Uma professora colega da que foi agredida afirmou ao UOL, sob anonimato, que “falar de violência dentro da escola, para todo professor, é considerado normal”. A vítima não registrou a agressão. Ano passado, na escola em que leciono, aqui na zona norte, no último bimestre, dois alunos do 9º ano começaram a discutir por conta de um boné durante o intervalo.  
 
Fonte: UOL