
O ministro da Educação, Rossieli Soares, entregou na sexta-feira (14) ao Conselho Nacional de Educação (CNE) a Base Nacional Comum para a Formação de Professores da Educação Básica. O principal objetivo é orientar uma linguagem comum sobre o que se espera da formação de professores, a fim de revisar as diretrizes dos cursos de pedagogia e das licenciaturas para que tenham foco na prática da sala de aula e estejam alinhadas à Base Nacional Curricular Comum (BNCC).
“Concluímos a discussão sobre quais são os direitos de aprendizagem, as competências e as habilidades essenciais para os nossos alunos na educação básica. Agora, precisamos dizer ao Brasil o que é ser um bom professor, quais são as competências e habilidades necessárias para ele, especialmente com foco na prática pedagógica, numa visão mais próxima da sala de aula”, afirmou Rossieli Soares.
A secretária de Educação Básica do MEC e conselheira do CNE, Kátia Smole, destacou a importância do professor no processo de ensino e aprendizagem. “Nós precisamos confiar nos professores que temos nesse país, valorizar sua criatividade pedagógica, porque eles são capazes de muitas coisas. Nós queremos um aluno que entre na escola e permaneça desde a educação infantil até o final do ensino médio e almejamos, principalmente, aprendizagem de qualidade”, disse Kátia Smole.
O texto define dez competências gerais e aponta que a formação inicial e continuada deve ser baseada em três dimensões: conhecimento, prática e engajamento. A dimensão do conhecimento está relacionada ao domínio dos conteúdos. A prática refere-se a saber criar e gerir ambientes de aprendizagem. A terceira dimensão, engajamento, diz respeito ao comprometimento do professor com a aprendizagem e com a interação com os colegas de trabalho, as famílias e a comunidade escolar. Para cada dimensão, estão previstas quatro competências específicas.
O documento aponta que, no Brasil, a didática e as metodologias adequadas para o ensino dos conteúdos é pouco valorizada. Os cursos destinados à formação inicial detêm-se excessivamente nos conhecimentos que fundamentam a educação, dando pouca atenção ao como o professor deverá ensinar. Em outros casos, o foco são os conhecimentos disciplinares totalmente dissociados de sua didática e metodologias específicas.
Essas distorções no processo de ensino e aprendizagem são responsáveis, em parte, pelos baixos índices de aprendizado mostrados pelo Sistema Nacional de Avaliação Básica (Saeb). A pior situação é a do ensino médio. Os resultados de 2017 apenas 1,62% dos alunos do ensino médio têm níveis adequados em língua portuguesa e 4,52% em matemática.
Durante a cerimônia, Rossieli Soares afirmou que a discussão com a sociedade será liderada pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e pela União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).
No CNE, a Comissão de Formação de Professores é presidida por Maria Helena Guimarães de Castro. O relator da Base será Mozart Neves Ramos.
Licenciaturas
O Brasil conta com a oferta de 7.245 cursos de licenciatura, de acordo com o Censo da Educação Superior de 2017. Destes, 3.765 (52%) são ofertados na rede pública. Já a proporção de matrículas é maior na rede particular. De 1.589.440 estudantes, 987.601 (62,14%) estão nas instituições de ensino superior privadas.
O curso com o maior número de matrículas é o de pedagogia, que habilita o docente para lecionar na educação infantil e nas séries iniciais do ensino fundamental (710.855, o equivalente a 44,7%). Depois, aparece a graduação de professor de educação física (185.792, correspondentes a 11,7% do total). Em seguida, vem o curso de matemática (95.004 matrículas, 6% do total).

No Brasil a deficiência da educação está sempre relacionada a incompetência do professor e o governo se exime de sua grande parcela neste sistema fracassado e corrupto. O quadro que se desenha na educação brasileira é um reflexo muito claro da nossa sociedade, de toda deficiência e descaso que suportamos diariamente. O professor, usa a sua didática para mediar todos os tipos de conflitos, se depara com uma sala de aula, em sua grande maioria, desestimulada, sem perspectiva de futuro, desassistida pelo Estado, pela sociedade e até por sua família. Ao professor cabe dar um jeito de ensinar o que manda a cartilha desatualizada em meio a esse caos social. Desculpem, o professor faz o seu máximo, e é claro que isto não está ligado ao seu salário, as suas condições de trabalho vergonhosas, e muito menos ao reconhecimento a um profissional que forma todos os outros, mas a uma esperança e compromisso em resgatar e incentivar a uma minoria brilhante de pessoas que ainda enxergam a educação como um meio de se chegar a um futuro melhor, mesmo no meio de tanto descaso e burocracia. A palavra atualização é uma constante no currículo de um professor, não pararam no tempo como se quer fazer acreditar. Enfim, este texto seria imenso se escrevesse tudo que penso. Convido aos que passam seu dia em um ministério ou em sua sala com ar condicionado e cafezinho e se dizem preocupados com a educação brasileira a visitarem uma escola pública de verdade (não a da novelinha da Globo) e passarem um dia letivo comigo, das 7:00 ao 12:00h, depois das 13:00 às 15:30h e finalmente das 19:00 às 23:00hs para vivenciarem de perto se o que escrevem, determinam e estudam sobre a educação e seus profissionais é realmente fato e o que devem fazer efetivamente para melhorar tudo isto.
Bom dia! Este documento estará disponível no site do MEC?