Mesmo nas escolas que não estão ocupadas, alunos têm estimulado o boicote ao Saresp como outra via de protesto contra a reforma da rede estadual. Em manual compartilhado nas redes sociais, os alunos incentivam e dão dicas sobre ocupações, piquetes e até o descarte das provas para impedir a realização da avaliação anual, prevista para os dias 24 e 25.

 

Segundo o texto divulgado por grupos de estudantes na internet, “o Saresp é mais uma das ferramentas do governo para justificar os fechamentos e a reorganização das escolas”. O guia também destaca que estudantes não podem ser punidos ou reprovados se deixarem de fazer o exame.

 

Especialista em avaliação educacional, Maria Márcia Malavasi, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), acredita que a insatisfação causada pela reforma deve trazer impactos nas notas e criticou o Saresp. “Os resultados só têm sido usados para penalizar ou bonificar as escolas e professores de forma equivocada”, diz.

 

Ghisleine Trigo, coordenadora de Gestão da Educação Básica da secretaria estadual, disse que os resultados servem para as escolas como diagnóstico dos conhecimentos consolidados pelos alunos e para nortear as ações de cada unidade. “O bônus aos professores é derivação secundária. O principal objetivo é ser um recurso pedagógico para orientar as escolas”.

 

Sobre o cancelamento das provas em escolas ocupadas, Ghisleine disse lamentar que o calendário não possa ser cumprido, mas foi a melhor medida encontrada para evitar constrangimentos aos alunos. “Em algumas escolas, eles e a equipe educacional estão impedidos de entrar.”

 

Governo diz que mantém o diálogo ’24 horas’

 

O governador manteve nesta segunda-feira (23) o discurso de que o Estado está aberto ao diálogo com os estudantes sobre a reorganização. “Estamos abertos 24 horas para o diálogo. Procuramos melhorar a qualidade da escola pública, esse é o objetivo. Mas lamentavelmente estamos vendo uma exploração política da escola que nem vai ser reorganizada nem disponibilizada, (ao ser) ocupada.”

 

Na semana passada, mais de um mês após o anúncio da reorganização, o secretário de Educação, Herman Voorwald, propôs abrir discussão caso os alunos desocupassem as unidades – mas ressaltou que o governo não abre mão da política anunciada.

 

Secom/CPP – informações do jornal O Estado de São Paulo