O CPP reforça o propósito do tema definido pela ONU em comemoração ao Dia Internacional da Pessoa com Deficiência (3) :“Liderança e participação das pessoas com deficiência por um mundo pós-Covid-19 inclusivo, acessível e sustentável”.

 
E  abre espaço ao Estudo do Instituto Rodrigo Mendes, enviado pela Jeduca, com análises desta fase delicada para a educação inclusiva e para a garantia dos direitos das pessoas com deficiência.

 

Estratégias pedagógicas bem formuladas e apoiadas em tecnologias têm grandes chances de obter sucesso quando consideram as singularidades individuais. 

Tecnologias digitais podem contribuir para o avanço da educação inclusiva e valorização da diversidade. Mas precisam ser impulsionadas por políticas públicas e formação de professores, aponta estudo Tecnologias Digitais Aplicadas à Educação Inclusiva. Atualmente, o uso das tecnologias depende, predominantemente, da iniciativa dos educadores da sala de aula comum e do Atendimento Educacional Especializado (AEE), dada a insuficiência de incentivo das políticas públicas

O Instituto Rodrigo Mendes (IRM), em parceria com o Instituto Unibanco, realizou uma pesquisa que apresenta um panorama do uso de tecnologias digitais na educação básica e tem como objetivo impulsionar o uso e o desenvolvimento de recursos educacionais sob uma perspectiva inclusiva, para que contemplem todos os estudantes. O estudo Tecnologias Digitais Aplicadas à Educação Inclusiva foi realizado pelo Núcleo de Pesquisa e Tecnologias para a Educação Inclusiva do IRM.

O material apresenta um panorama atual da oferta de soluções em tecnologia educacional no Brasil, destacando algumas principais soluções inclusivas; identifica tecnologias digitais que, no contexto escolar, contribuem com o avanço da educação inclusiva; pretende impulsionar uma nova cultura tecnológica, comprometida em produzir soluções acessíveis para todos, desde a sua concepção; e vislumbra novos cenários pós-pandemia em que possam ser construídos projetos educacionais renovados.

Cenário nacional, pandemia e tecnologias na educação
Há algum tempo a utilização de recursos digitais nas escolas tornou- se parte da realidade educacional. E, recentemente, diante dos problemas causados pela pandemia da Covid-19, com a adoção do ensino remoto ou híbrido, são pulsantes a necessidade e a urgência de reflexões direcionadas à construção de experiências inclusivas.

Apesar dos esforços empreendidos pelo poder público, por organizações intergovernamentais, empresas, redes de ensino, estudantes e educadores, ainda há muitos desafios. O uso de tecnologias pode trazer oportunidades inéditas de desenvolvimento à nossa sociedade, mas também há o risco de aprofundar desigualdades sociais e formas de exclusão já existentes. Ainda mais quando se trata do Brasil, que carece de um plano específico para o setor de tecnologias educacionais.

As principais conclusões do estudo
A adoção de tecnologias educacionais deixou de ser um assunto transversal, tornando-se cada vez mais algo estratégico e central.  Conforme destacou recentemente a OCDE, em dias atuais as desigualdades multidimensionais persistem no Brasil, a despeito do aumento da participação na educação. As tecnologias não devem acentuar essas desigualdades. As fronteiras da educação digital trazem oportunidades e desafios. Nesse contexto, há uma necessidade atual de se consolidar formatos de aprendizagem inclusivos, que contemplem a diversidade humana, com auxílio de novas tecnologias.

As tecnologias digitais são uma importante ferramenta de apoio às estratégias educacionais inclusivas, que necessitam ser pensadas para todos os estudantes. É um momento para se pensar na transição de soluções digitais nativas (born digital) para soluções acessíveis nativas (born accessible). Nos dias atuais, especialmente diante dos recentes desafios apresentados pela pandemia da covid-19, torna-se necessário reconstruir de maneira mais inovadora os sistemas de ensino. Isso significa não apenas testar a sua resiliência no cotidiano, mas também promover uma profunda mudança cultural, que utilize as tecnologias como ferramentas de ensino voltadas à valorização da diversidade.

Existe uma ampla gama de soluções tecnológicas que podem ser utilizadas em sala de aula. O mercado de tecnologias educacionais está em crescimento constante. As entrevistas com as gigantes globais Google, Microsoft e Facebook revelaram uma crescente preocupação com acessibilidade, diversidade e inclusão. Porém, no cenário geral, muitas soluções ainda são concebidas sem a garantia de acessibilidade comunicacional, enquanto uma pequena parcela é direcionada exclusivamente para o público-alvo de estudantes com deficiência. Em outras palavras, identificou-se uma escassez de soluções que sejam, em um só tempo, nativas acessíveis e concebidas para atender todos os estudantes, sem exceção. Portanto, há ainda grande espaço para o desenvolvimento de tecnologias pensadas sem barreiras de uso e de acesso.

Com base nos estudos de caso considerados, é possível afirmar que o uso efetivo de tecnologias educacionais nas escolas ainda depende, predominantemente, da atuação e da vontade dos educadores regentes da sala comum e do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Nas escolas, as práticas pedagógicas mediadas por tecnologias trazem ganhos reais, mas em geral são incipientes e podem ser amplificadas. Para que isso ocorra, é necessário haver uma forte sintonia entre as políticas públicas, as condições institucionais e o conteúdo da formação de educadores.

Exemplos de soluções educacionais brasileiras identificadas no estudo
A pesquisa identificou tecnologias atualmente disponíveis em língua portuguesa e com potencial para favorecer a participação e aprendizagem de todos os estudantes no ambiente escolar. Em geral, são ferramentas de comunicação e acessibilidade, jogos educativos e ambientes de aprendizagem adaptativos. Algumas delas estão listadas abaixo, com base em pesquisas realizadas livremente e utilizando a plataforma Startupscanner. Vale ressaltar que foram encontradas pouquíssimas soluções voltadas para todos – dentre elas, destacam-se as do Google e da Microsoft.

:: Números do universo da educação inclusiva:

– De acordo com a Organização Mundial de Saúde, 15% da população do mundo tem alguma deficiência. Isso corresponde a mais de 1 bilhão de pessoas no planeta.  

– De acordo com o Censo Escolar dos últimos dois anos, mais de 90% de alunas e alunos da Educação Especial, matriculados na Educação Básica, estavam estudando em salas de aula inclusivas, desfrutando do convívio com o restante dos estudantes. Eles equivalem a 2,3% de representatividade no total das matrículas.

– De acordo com pesquisa INEP/DataFolha, 86% das pessoas acham que as escolas ficam melhores com a inclusão. A mesma pesquisa revela que 70% dos professores não têm formação sobre o tema.

– Segundo dados do Censo Escolar 2020, em 40% das escolas, a acessibilidade é inexistente.

:: O que é Desenho Universal para Aprendizagem (DUA)

É um conjunto de princípios que constitui o modelo prático para favorecer a aprendizagem de cada estudante por meio de planejamento pedagógico contínuo. Os autores do Desenho Universal para Aprendizagem (DUA) sugerem que os educadores trabalhem com múltiplos métodos de apresentação dos conteúdos curriculares, mediação da aprendizagem e envolvimento dos alunos. Exemplos são a informação multimodal (em que o aluno expressa o saber de diversas formas) e a criação ou a manipulação de ferramentas digitais. Traduzindo em miúdos, eles propõem que os professores diversifiquem os formatos dos materiais didáticos, as estratégias pedagógicas e as inter-relações entre o conteúdo e a vida real do aluno. Essas recomendações traduzem, respectivamente, os três princípios do DUA e melhoram a qualidade do ensino para todos os estudantes.

 

Do Instituto Rodrigo Mendes / Jeduca