Fábio Machado Fernandes

Os Jogos Paralímpicos do Rio 2016 vem nos trazendo uma reflexão sobre acessibilidade e inclusão para pessoas com deficiência.De acordo com os números oficiais de 2015, temos 6,2% dos mais de 200 milhões de brasileiros portando alguma deficiência. Os problemas para eles são inúmeros: faltam sinais sonoros em semáforos, calçadas adequadas, transporte coletivo com elevadores de cadeiras de roda e outras dificuldades,desde a mobilidade urbana até a própria aceitação por parte da sociedade.

 

Os Jogos Paralímpicos são considerados o maior evento no Mundo para atletas portadores de deficiência motora ou intelectual, e certamente servirão para uma reflexão sobre a inclusão dessas pessoas com deficiência no ambiente social. Por meio do esporte, o sujeito pode resgatar a autoestima, seu papel social e mostrar seu potencial. Valores como superação, espírito de equipe, solidariedade, disciplina, respeito, essenciais para uma sociedade mais ética e humana, são ainda mais evidenciados nas competições.

 

Nosso país atualmente é considerado uma potência paralímpica e este cenário favorece um debate sobre questões referentes ao preconceito, acessibilidade e oportunidades para pessoas portadoras de deficiência, para que sejam mais aprofundadas no sentido de trazer resolutividade para os problemas existentes. É importante ressaltar que, mais do que inclusão, é preciso integrar estas pessoas na sociedade.

 

Na natação do Colégio Marista de Criciúma temos um exemplo de tratamento igualitário e oportunidade. Os atletas de Paradesporto dividem a piscina no mesmo horário em que os outros atletas da equipe de rendimento. Os benefícios, em termos de resultados pessoais e esportivos vão muito além do esporte. O atleta sente-se não só incluído, mas integrado à equipe, como um indivíduo que também dá sua contribuição para o resultado coletivo.

 

Entendemos que para determinados esportes talvez isto não seja possível, até pela especificidade de cada modalidade, mas o que fica é um exemplo de qual deve ser o olhar diante das oportunidades que possamos oferecer para estas pessoas, e qual deve ser o tipo de tratamento, sem distinção e de maneira respeitosa.

 

Este olhar sem distinção e de respeito com portadores de deficiência motora ou intelectual deve transcender o campo esportivo. Se no esporte eles provam ser capazes, por que não aceitá-los em nosso meio?  Uma sociedade digna e justa somente é possível quando se faz uma política para todos. Os investimentos precisam ser feitos de maneira estrutural e principalmente cultural. É preciso alteridade por parte da população e do Estado, para que as políticas públicas de acessibilidade tenham real efetividade.

 

No dia 18 de Setembro, dia em que se encerram as Paralímpiadas do Rio 2016, certamente sairemos vencedores no âmbito esportivo com muitas medalhas de nossos atletas, porém o que precisamos mesmo é terminar estes jogos com um novo olhar, onde a dimensão humana esteja acima dos resultados e possamos um dia ter um país onde as oportunidades sejam possibilidade de todos, sem distinção, livres de preconceito e pautada pelo respeito.Supervisor de Educação Física do Colégio Marista Criciúma, do Grupo Marista

 

É Supervisor de Educação Física do Colégio Marista Criciúma, do Grupo Marista