
O tema é complexo: drogas nas escolas. Embora as ações de prevenção mereçam estar inseridas no contexto pedagógico, as dificuldades em debater o assunto entre educadores, famílias e alunos não são palpáveis, especialmente nas escolas públicas. Educar para a prevenção é uma estratégia com altíssima eficiência para o enfrentamento do consumo de drogas lícitas e ilícitas.
O Portal CPP ouviu diferentes opiniões sobre este desafio contemporâneo.
Ministro da Educação, Mendonça Filho
“A droga é um dos principais problemas do Brasil, que acaba afetando diversos setores como a segurança pública e a saúde. É preciso entender que não existe apenas um agente responsável pelo avanço das drogas principalmente entre os jovens brasileiros.
A escola é um dos lugares onde as drogas hoje têm uma influência negativa. Mas é preciso um movimento que envolva todos os atores da vida de um jovem, como os amigos, a família, principalmente os pais, e, claro, a escola. Além de colocar no seio da sociedade uma discussão séria sobre o assunto.
O jovem precisa aprender desde cedo os malefícios das drogas, como combater, como não participar de uma vida que pode ser desastrosa para ele e para todos em sua volta. A educação tem um papel para o combate, portanto ela é fundamental nesse processo.”
Luiz Fernando Cauduro, presidente da Federação do Amor-Exigente – A.E
“Temos até os 10 anos a grande chance de educarmos nossos filhos e alunos. A partir desta idade a sociedade assume esse papel. Por isso, a prevenção é urgente. Muito glamourizada, a droga causa uma doença crônica, progressiva e fatal – a dependência
química. Portanto, a droga é doença. Para cada dependente químico – usuário, quatro elementos de sua família ou de sua proximidade adoecem também, assumindo o papel de codependência onde deixa de viver sua própria vida para tentar salvá-lo. O A.E busca com que os pais ajam antes que as coisas ruins possam acontecer.”
O A.E é um programa gratuito que atende o dependente químico em recuperação e grupos de famílias. São 11 mil voluntários que realizam reuniões, cursos e palestras em todo o Brasil. Atua, também, na Argentina e no Uruguai.
Bete Chaves Andretto, coordenadora geral da unidade Brooklin do A.E – SP
“Atuo há 24 anos e, por isso, digo aos educadores que o caminho informar-se, capacitar-se, instruir-se, ter conhecimento para administrar. O educador tem que estar por dentro do assunto. Muitas vezes o lar do aluno não é funcional. Então, é preciso saber diagnosticar a criança ou adolescente com problema. É fundamental para o educador poder ingressar em algum grupo de ajuda, para estar por dentro desse assunto que abrange o mundo inteiro. Nesta unidade sou coordenadora geral.”
Colabora também para esse propósito o Departamento de Orientação Educacional que acompanha o desenvolvimento acadêmico e emocional dos nossos alunos.
Maria Estela Benedetti Zanini, coordenadora de CPG (Convivência em Processo de Grupo) do Colégio Bandeirantes, em São Paulo – Prevenção às drogas é uma das orientações da unidade
“A prevenção às drogas tornou-se uma aula, um espaço de discussão, criado para que os adolescentes do 6.o ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio possam obter em sala de aula discussões a respeito de drogas, especialmente para o aluno que não teve contato. Os educadores passam por uma capacitação. O olhar atento do professor é fundamental. Aos professores que não têm uma formação específica em suas escolas, sugiro que procurem as informações junto aos profissionais de saúde, das ONGs e nos sites. Aqui no Brasil, temos informações abundantes sobre o tema.”
Johnathan Christian Gatica Vilugron, professor de geografia, produtor de projetos musicais e regente do Coral WL, da E.E. Dr. Washington Luiz – Mogi das Cruzes-SP
“Sou ex- usuário de maconha e cigarro. Por volta dos 12 ou 13 anos conheci um projeto do governo, de formação de bandas e fanfarras, chamado “Para Ver a Banda Passar”. O objetivo era tirar o jovem da rua para ser tratado por profissionais. Hoje reencontro com muitos educadores que me inspiraram a ser o educador que sou hoje. Falo aos meus alunos: enquanto vocês estão indo com a farinha, já estou voltando com o bolo pronto e com a cereja em cima. Quando comecei, trouxe para a sala de aula o mesmo exemplo de respeito de quem me ajudou. Respeito e sou respeitado pelos meus alunos.”
WTC (iniciais para preservar o nome verdadeiro) – mãe de usuário de maconha
“Cheguei ao A.E. em busca de ajuda para o meu filho. Os jovens acham que essa droga é inofensiva, mas não é. Meu objetivo é saber dar limites. Se é uma coisa que a gente não consegue fazer sozinho é dar limite. Creio que o primeiro passo que os pais devem fazer é procurar ajuda para si e para o seu filho. É preciso se fortalecer e colocar seus valores e não se tornar codependente. A sociedade tem dificuldade de viver mudanças. Por vezes, se perde pelo caminho.”
INFORMAÇÕES
John Gatica, página do professor Johnathan no Facebook (johnvilugron@gmail.com)
