Assim como no Brasil, funcionalismo paulista é majoritariamente feminino; Educação é a área com mais servidoras

Elas representam a maioria da população brasileira, 52%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E também prevalecem na área que sustenta o estado de São Paulo: o serviço público. Atualmente, são 284 mil mulheres e 280 mil homens no quadro de servidores públicos ativos do Governo do Estado de São Paulo, 50,3% contra 49,6%, respectivamente. Em função deste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, as informações abrangem secretarias, fundações, autarquias, empresas e universidades e são da Unidade de Recursos Humanos da Secretaria de Projetos, Orçamento e Gestão.

A Secretaria da Educação (Seduc) desponta como a pasta de maior concentração feminina. Hoje, dos 225 mil profissionais ativos, 73% são mulheres. O dado reflete a percepção de que a Educação Básica no Brasil é feita por professoras, o que pode ser explicado pela característica da maternidade, do cuidado, de acordo com estudos voltados ao magistério. “A escola é tomada como continuidade do lar, onde a professora vai exercer de fato o papel de maternagem, utilizando-se de sua autoridade e do seu carinho”, analisa o artigo “A Mulher e o Magistério: Razões da Supremacia feminina”, do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Na Secretaria da Saúde, órgão que se destaca em função da pandemia de Covid-19, atuam 28.3231 servidores, sendo 70,8% do sexo feminino, o que representa mais de 20 mil mulheres vinculadas. São médicas, enfermeiras, dentistas, técnicas, agentes de saúde, pesquisadoras, auxiliares e outras trabalhadoras de diferentes funções. Elas se notabilizam, sobretudo, por estarem na linha de frente de combate à doença, tanto que a primeira pessoa vacinada no Brasil foi uma profissional de enfermagem do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, Mônica Calazans.

De acordo com a diretora econômico-finaneira da AFPESP (Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo) , Elza Barbosa da Silva, reconhecer o serviço público paulista é valorizar o protagonismo da mulher. “Somos maioria no funcionalismo e, portanto, respondemos diretamente pelas atividades desenvolvidas no Estado. Seja na Educação, área majoritariamente feminina, seja em quaisquer outros setores, como a Saúde, tão necessária neste período, diversas realizações só são possíveis por causa de nosso trabalho, força e sensibilidade. O sentimento natural da mulher nas relações humanas faz toda a diferença”, diz.

FUNCIONALISMO NO BRASIL

Nacionalmente, a participação feminina no setor público é de 59,3%, conforme levantamento mais recente (2017) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A esfera de poder com mais mulheres é a municipal, com 66¨%, o que sugere recorte por ocupação. Nas cidades, as contratações públicas abrangem mais professoras e enfermeiras, por exemplo. Nos estados, a taxa chega a 60%. Servidores do sexo masculino só são maioria em nível federal, 71%, fato que se explica pelo contingente de militares. Quando estes são excluídos do cálculo, ainda assim há mais homens: 54%.

O “Atlas do Estado Brasileiro – Três Décadas de Evolução do Funcionalismo Público no Brasil (1986-2017)”, no entanto, mostra paradoxo de gênero. Embora sejam maioria, mulheres têm remuneração média inferior à dos homens nos três níveis federativos. Em 1986, a diferença era de 17,1%; em 2017, o índice chegou a 24,2% de disparidade.

CPP PARABENIZA AS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO

No Dia Internacional da Mulher, o Centro do Professorado Paulista cumprimenta todas elas. Mas, principalmente, as profissionais da educação, que estão se esmerando nesta pandemia. Parabéns.

Fonte: AFPESP