Luiz Gonzaga Bertelli

Em outubro, 23 milhões de eleitores com idade entre 16 e 24 anos estarão aptos a ir às urnas para escolher os 5.670 prefeitos que, nos próximos quatro anos, cuidarão da vida dos 208 milhões de brasileiros. No cenário de uma crise que deverá se estender em 2017, quase todos os eleitos enfrentarão dificuldades. Com a atual política tributária, que há tempos está pedindo uma reforma, os recursos que entram nos cofres da maioria das prefeituras se revelam insuficientes para atender a parte que lhe cabe nas áreas da educação, da saúde, entre outras. As municipalidades sofrerão uma pesada sobrecarga, resultante da economia em queda, escalada do desemprego e alta da inflação.
 

Por tudo isso, e mais a turbulência política, se verão acirradas as demandas por serviços essenciais. Com esse cenário, será fundamental saber quais são mais importantes. Em janeiro deste ano, muitos protestos foram realizados solicitando isenções na passagem do transporte público, o que causou uma grande comoção popular. Para se ter ideia, somente a isenção concedida a todos os estudantes da capital consome 700 milhões de reais por ano – dinheiro que, segundo calculou a prefeitura na ocasião, daria para construir 20 Centros de Educação Unificada ou quatro hospitais gerais a cada 12 meses.
 

Está chegando o momento de o munícipe ir às urnas, cumprir o maior de todos os direitos/deveres do cidadão, que é o exercício do voto. Mais do que nunca, o momento pede um voto consciente. Será preciso verificar a competência do candidato para a gestão correta de recursos escassos, para implementar boas soluções urbanas, para fechar ralos da corrupção e conferir seu grau de sensibilidade para com os graves problemas sociais que pululam nas cidades. Não basta ser um gerentão e muito menos ter um perfil demagogo, farto de promessas e paupérrimo de realizações. Mas deve, sim, fazer uma gestão capaz e honesta, para honrar os votos e a confiança dos eleitores.

Luiz é presidente do conselho de administração do CIEE/SP