Baseado no livro homônimo do pesquisador e historiador Luis Mir, o filme expõe um caso extremo de negligência, imperícia, imprudência e vaidade médica

Diante do período inquieto do Brasil, o Portal CPP entende ser pertinente a oportunidade de reviver os fatos que estimularam a República a ser o que é. Assim, a reportagem assistiu ao filme “O Paciente – O Caso Tancredo Neves” e conferiu, após exibição, o making of em que o diretor, o produtor, o autor do livro e os atores expuseram como transformaram a conturbada morte de Tancredo Neves em filme.
 

O caso foi polêmico e misterioso, em março de 1985.
 

O cirurgião Henrique Walter Pinotti foi categórico: “Tancredo Neves poderia ter sido empossado como presidente da República.” Dr. Pinotti fazia parte da equipe médica que atendeu o primeiro presidente civil, após 21 anos de ditadura militar.
 

Entretanto, uma agressiva dor no abdome mudou o rumo da história e o levou a viver um suplício às vésperas de sua posse. Tancredo foi o principal articulador da abertura democrática no Brasil. Sua posse estava agendada para 15 de março de 1985.
 

O presidente eleito pelo Colégio Eleitoral resistiu o quanto pode para não ser operado no limitado Hospital de Base de Brasília, que queria e precisava ser empossado na data marcada. Temia que os militares recusassem empossar o vice, José Sarney, como interino.
 

O Brasil viveu 36 dias de agonia. Uma sequência de erros, discordâncias médicas e procedimentos duvidosos antecederam o anúncio do óbito em 21 de abril de 1985, no Hospital do Coração (Incor), em São Paulo. Tancredo faleceu de septicemia, infecção generalizada. Na sequência, Sarney foi efetivado e cumpriu o mandato até o fim.
 

Gustavo Lipsztein se baseou no livro homônimo do pesquisador e historiador Luis Mir para fazer o roteiro.
 

O autor garante que o filme é transcrição fiel do prontuário de Tancredo Neves. “A família não opinou. O livro é a cronologia do prontuário. Não foi desmentida uma vírgula do livro, nada. As entidades médicas acolheram o livro. Meu amigo, que entregou o prontuário, falou “chega de esconder essa história. Ponha no livro os esclarecimentos”, contou emocionado o autor do livro “O paciente – O caso Tancredo”, Luis Mir.
 

“A estreia do filme acontece 33 anos após a tragédia da morte de Tancredo. O filme, na verdade, é uma conversa oportuna no Brasil hoje. Tancredo uniu o Brasil em dois momentos. O primeiro foi na esperança de um novo governo após 21 anos de ditadura. O segundo, no desespero, na dor, no momento da sua morte. Um momento grandioso da história brasileira. Creio que fizemos um grande serviço”, afirmou o diretor Sérgio Rezende.
 

Othon Bastos, como protagonista, valoriza o trabalho coletivo. “Somos anjos de uma asa só. Precisamos abraçar o outro para voar. Nós nos abraçamos. O filme é um trabalho lindo de todos os atores. Fizemos com alma, com dedicação e amor.”
 

“Uma honra trabalhar com o Othon de novo. Faço o assessor de imprensa do Tancredo, Antônio Brito. O paralelo são as fake news. Por vezes ele trazia informações antigas. Penso como seria se fosse hoje. Um cardápio de vaidades, principalmente os médicos”, explicou Emílio Dantas.
 

“A gente tem uma sensação forte que o filme é muito bom. O roteiro apaixonante me impactou na hora que li. A situação familiar de perda, tão facilmente identificado. Os personagens conhecidos – aquela foto do Tancredo sentado, ficou impregnada para sempre em minha memória”, comentou  Leonardo Medeiros.
 

Estér Góis revela como foi representar a firmeza de Ricoleta, esposa de Tancredo. “Uma delícia ter participado desse filme. Tivemos que pegar os personagens de recortes. Esses fragmentos foram a nossa real informação. Não tive contato com a Risoleta. Acompanhei de longe. Então, tive que me aprofundar. Fiquei surpreendida com a resistência, com a determinação dela naquela circunstância, naquele momento.”

Além de Othon Bastos, o elenco principal conta com Esther Goes, como Risoleta, Paulo Betti, Otavio Muller, Leonardo Medeiros e Emilio Dantas, como Antônio Britto, assessor de imprensa de Tancredo. Luciana Braga interpreta Inês Maria, filha de Tancredo e mãe de Aécio Neves, vivido por Lucas Drummond. O roteiro é de Gustavo Lipsztein. Mariza Leão assina a produção.
 

A data da estreia do filme “O Paciente – O Caso Tancredo Neves” é 13 de setembro.