
O final do ano letivo geralmente é visto como um período de descanso e diminuição da rotina intensa associada às escolas. Porém, é nessa época que os professores finalizam o planejamento do ano, dividindo atenção com fechamento de notas, conselhos de classe e reuniões com diretores, pais e responsáveis.
É bem comum que os docentes tirem férias praticamente junto às festas – razoavelmente depois dos estudantes. Então, é possível afirmar que existe uma sobrecarga invisível aos olhos de parte da sociedade, que associa o fim das aulas ao fechamento total das instituições.
As políticas de apoio à educação e ao magistério devem funcionar da mesma forma durante o ano inteiro, sem exceções para quando os acadêmicos não estão efetivamente ensinando.
Após um ciclo letivo longo e uma jornada de trabalho exigente, professores precisam de acolhimento e empatia, princípios básicos para que eles voltem das férias com equilíbrio e motivação.
Nossa luta é para que o magistério seja mais valorizado, com imensa consideração às principais demandas e queixas dos profissionais da educação.
Neste sentido, é impossível falar sobre valorização sem mencionar a melhoria das condições de trabalho – o que inclui a redução da carga horária, a quantidade de alunos por sala (ou turma) e a garantia do pagamento efetivo por todos os serviços prestados durante o ano, que são muitos.
Todos esses pontos, que são básicos, afetam diretamente o planejamento dos anos letivos. Professores e profissionais de educação necessitam estar fisicamente e mentalmente bem para antecipar as atividades de um ciclo inteiro, incluindo as tarefas adicionais, como adaptações das atividades para crianças com deficiência, necessidade de revisão de conteúdos, avaliações e dinâmicas que muitas vezes são imprevisíveis.
Tudo isso considerando que os docentes dificilmente têm total visibilidade de quantos (e quais) alunos terão no ano seguinte.
*Silvio dos Santos Martins é presidente do Centro do Professorado Paulista
