Embora triste, não causou surpresa a notícia, divulgada semana passada, que o Brasil não atingiu as metas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para 2013 nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) e no ensino médio. No levantamento, apenas quatro estados atingiram as metas individuais de qualidade de ensino – e São Paulo, lamentavelmente, não está entre eles. Segundo a opinião de especialistas, entre os vários vetores que determinaram o pífio resultado está a falta de continuidade de políticas públicas consistentes para a Educação.

 

Pode parecer só um detalhe, mas não custa lembrar que nos últimos 10 anos o país teve cinco diferentes ministros da Educação, nem todos especialistas na área. Esse entra-e-sai de ministros revela o quanto emana do próprio poder central, do MEC, um senso de descontinuidade que se reflete também os estados e municípios.

 

E não é por falta de verbas que esse fenômeno se dá. São Paulo, por exemplo, dispõe de um orçamento de R$ 20 bilhões para a Educação a cada ano, mas o valor inerente a essa cifra não se reflete na qualidade do ensino público no Estado mais rico da federação. Isto porque o dinheiro, sem o qual não se faz nada, também não faz nada sozinho. É preciso firmeza de propósito, saber onde quer chegar e concretizar um planejamento para melhor aplicá-lo.

 

Neste sentido é preciso aplaudir bons projetos que possam inverter essa lógica. E reconhecer que São Palo, ainda que distante da velocidade que a população espera, vai aos poucos avançando com ideias. É o caso do modelo da escola de tempo integral, cujos resultados já são notados a ponto de escancarar um abismo no comparativo com o desempenho de escolas tradicionais.

 

Outra boa prática novidade é a adoção de conceitos de meritocracia e investimento no aprimoramento do corpo docente das escolas públicas, posto que, sem bons professores, não se faz boa educação. Nesse capítulo, merece elogios o programa recém-criado com o objetivo de subsidiar cursos de mestrado e doutorado para professores do Estado. O programa é voltado a professores, supervisores de ensino e diretores, com bolsas que chegam até R$ 1, 3 mil para cursos de mestrado e a R$ 1,6 mil para doutorado.

 

Os educadores que obtiverem as especializações poderão garantir evolução funcional e aumento de 5% em seus salários. Mas é evidente que os benefícios do programa não alcançam apenas os professores e seus vencimentos. Por certo, os efeitos positivos da medida devem chegar também aos alunos, na medida em que parece óbvia a constatação e melhor qualificados levam à melhoria da qualidade de ensino nas salas de aula. Tão certo quanto 2 + 2= 4.

Editorial desta terça-feira (9), jornal Diário de São Paulo

Secom/CPP.