Nota-se que a cada dia diminuem os interessados em zelar nossas três áreas de maior demanda: saúde, educação e segurança pública. Junto com os médicos, os professores aparecem de forma destacada na listadas carreiras que se candidatam a cargos eletivos. Policiais Militares, nas duas últimas décadas, com mais empenho, começam também a investir nesta trajetória. Aprender a tocar um instrumento ou praticar um esporte profissional, tarefas que exigem, disciplina e anos de treinamentos, deixam de ser cultivadas, alertam os docentes.
Todos os servidores conhecem a realidade de que, se todos é extraída a “mais valia”, contudo, dos policiais, dos médicos e dos professores ela tem sido exigida em grau mais elevado. Transcrevo mensagem destinada aos professores que, ao meu sentir, traduz horizontes edificantes. “Que nossos professores possam sempre ver com os olhos livres e possam continuar espalhando o fertilizante das ideias que germina a semente da cidadania, amadurece o fruto do conhecimento, robustece a árvore da ciência, amplia o cultivo da pesquisa, alarga a floresta do saber e, acima de tudo, ajuda a humanizar a colheita do nosso crescimento”. Para alguns estes pontos podem parecer sonhos distantes, os poetas dirão: mas não exatamente o sonho que alimenta a epopeia humana?
Não podemos aceitar indigência educacional, cânceres burocráticos na saúde ou medos e violências na segurança, áreas que são umbilicalmente ligadas. O título desta reflexão é homônimo a obra de Henry Giroux, publicada pela editora Artmed, com apresentação do saudoso pernambucano Paulo Freire, que nos deixou em 1997.
Nós, professores, não devemos formar discípulos ou seguidores e sim homens e mulheres capazes de arremessar o dardo do conhecimento um pouco mais à frente do que nos foi possível.
Por Ronilson de Souza Luiz é capitão da Polícia Militar e doutor em Educação pela PUC-SP
Secom/CPP
