
Diariamente, surgem notícias de agressões físicas e verbais contra professores dentro das escolas. E o que deveria ser um espaço de aprendizado e crescimento tem se transformado, para muitos docentes, em um ambiente de medo e insegurança.
Casos de hostilidade contra educadores se repetem em todo o país. Alunos que desrespeitam, ameaçam e até atacam professores, raramente enfrentam consequências. É justamente essa ausência de responsabilização que alimenta a sensação de impunidade.
Esse cenário está diretamente ligado à forma como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) vem sendo aplicado. Criado em 1990 para regulamentar o artigo 227 da Constituição Federal, o ECA tinha como objetivo assegurar, com absoluta prioridade, a proteção de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
Contudo, ao longo dos anos, a interpretação dessa proteção passou a ser desproporcional, dificultando que adolescentes autores de atos de violência fossem responsabilizados de maneira efetiva.
A impunidade transforma professores em vítimas! Não apenas da violência escolar, mas também da pressão e do descaso da sociedade e dos governantes, que deveriam garantir condições dignas de trabalho. Os educadores pedem socorro, mas continuam sendo ignorados.
É urgente nos unirmos em uma só voz para que esse pedido de ajuda finalmente seja ouvido.
A valorização do professor começa por um olhar mais sensível e por medidas concretas que evitem que sejamos reféns dentro do próprio espaço de trabalho.
A mensagem é clara: os professores pedem socorro. A dúvida que permanece é se, desta vez, alguém estará disposto a ouvi-los.
*Alessandro Soares é diretor-geral administrativo do CPP

Pedi aposentadoria justamente porque não aguentava mais a violência em sala de aula e a impunidade dos alunos.
A intervenção do Poder Público na dinâmica pedagógica, por meio da imposição de materiais didáticos padronizados e obrigatórios, representa um grave comprometimento da autonomia docente e do papel social da escola. Tal prática desconsidera o Projeto Político-Pedagógico das unidades, fragiliza a função técnica e formativa dos educadores e reduz o espaço escolar a um mecanismo operacional de aplicação de conteúdos engessados, contribuindo para práticas de violência.
Ao deslocar dos profissionais da educação a responsabilidade pela mediação crítica do conhecimento, instala-se um modelo pedagógico centralizador, que limita a liberdade de cátedra, empobrece o processo de ensino-aprendizagem e compromete a formação integral dos estudantes. A educação pública de qualidade exige respeito à expertise docente e à diversidade sociocultural das comunidades escolares.
Diante desse cenário, cabe aos trabalhadores da educação reafirmar seu compromisso com a constitucionalidade, com as diretrizes da gestão democrática e com a defesa intransigente da autonomia pedagógica. Impõe-se a necessidade de mobilização coletiva, diálogo qualificado e posicionamento firme contra qualquer tentativa de subordinar a escola a modelos autoritários, alheios às necessidades formativas da população.
A escola é, por excelência, um espaço de desenvolvimento humano, pensamento crítico e participação cidadã. Proteger sua integridade pedagógica é dever de todos os profissionais da educação e condição indispensável para assegurar uma sociedade verdadeiramente democrática, onde as Políticas Públicas devem contribuir para esta finalidade.
Portanto, esse lócus exige autoridade ; e não autoritarismo. É um espaço onde crianças , jovens e adultos devem encontrar modelos de liderança, e não de ditadura; um território simbólico dedicado ao aprendizado da escuta, da liberdade e da democracia. Em sentido oposto, políticos sem formação pedagógica — e, por vezes, nem mesmo formação acadêmica ; têm tentado construir e legitimar a ideia de que a presença policial é condição para o funcionamento da escola, distorcendo seu verdadeiro papel social.
Irene Fonseca
Especialista em Educação