Foto: Envato

Diariamente, surgem notícias de agressões físicas e verbais contra professores dentro das escolas. E o que deveria ser um espaço de aprendizado e crescimento tem se transformado, para muitos docentes, em um ambiente de medo e insegurança.

Casos de hostilidade contra educadores se repetem em todo o país. Alunos que desrespeitam, ameaçam e até atacam professores, raramente enfrentam consequências. É justamente essa ausência de responsabilização que alimenta a sensação de impunidade.

Esse cenário está diretamente ligado à forma como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) vem sendo aplicado. Criado em 1990 para regulamentar o artigo 227 da Constituição Federal, o ECA tinha como objetivo assegurar, com absoluta prioridade, a proteção de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.

Contudo, ao longo dos anos, a interpretação dessa proteção passou a ser desproporcional, dificultando que adolescentes autores de atos de violência fossem responsabilizados de maneira efetiva.

A impunidade transforma professores em vítimas! Não apenas da violência escolar, mas também da pressão e do descaso da sociedade e dos governantes, que deveriam garantir condições dignas de trabalho. Os educadores pedem socorro, mas continuam sendo ignorados.

É urgente nos unirmos em uma só voz para que esse pedido de ajuda finalmente seja ouvido.

A valorização do professor começa por um olhar mais sensível e por medidas concretas que evitem que sejamos reféns dentro do próprio espaço de trabalho.

A mensagem é clara: os professores pedem socorro. A dúvida que permanece é se, desta vez, alguém estará disposto a ouvi-los.

*Alessandro Soares é diretor-geral administrativo do CPP