
Parece absurdo falar em violência contra a mulher.
Elas estão em toda parte, vivem conosco e estão em toda parte.
Na verdade, é dentro do corpo de uma mulher que iniciamos a nossa vida, é nela que somos gerados, e é nela que se tem a mais profunda intimidade.
Ela administra, educa, cura e tem a nobreza de perdoar. Contudo, em nosso país, todos os dias uma mulher é violentada, seja no transporte público, no trabalho driblando diferenças na remuneração em cargos operacionais, de gerência e de diretoria.
Todos os dias, uma mulher em nosso país é vítima de feminicídio, em casa, na rua, no trabalho. É crescente o número de casos consumados e tentados de feminicídio, numa medida de 38% de aumento de um ano para o outro registrados. No Ministério público e noticiários, em TV, rádio e jornais.
O feminicídio é um crime inesperado. É um crime que resulta de relações familiares e íntimas. É um crime que se dá depois de um ciclo de violências de vários tipos, negligenciados, e mesmo mulheres com medida protetiva contra seus agressores, não receberam proteção do Estado e acabaram mortas por eles.
O passado histórico, fundamentado na família patriarcal, justifica o comportamento no qual o homem acredita ter posse de sua companheira e explica o fato de que o feminicídio, na maioria dos casos, é causado por companheiros ou ex-companheiros que não aceitam a separação.
A mulher vítima de agressão deve ser acolhida, para a garantia de direitos, por meio da humanização do atendimento, conforme dispõe a Lei Maria da Penha.
É preciso consolidar a igualdade de direitos entre homens e mulheres, é necessário que o Estado amplie as delegacias especializadas para garantir atendimento humanizado às vítimas de violência. O Estado deve reunir serviços de acolhimento.
É preciso abraçar a mulher, todas as mulheres… A mulher Professora que conheço bem, é igual na hora de ser igual…. Sabe achar graça nas menores coisas, sai de cena sem sair do espetáculo. Lembrando, sim, da mulher que em seu barraco faz o milagre da multiplicação, dividindo o parco alimento entre seus filhos… Todos os dias, o filho de uma mulher morre de fome ou por homicídio, nas comunidades. É preciso que sequemos estas lágrimas através da luta, solidariedade, empatia, amor e respeito.
Parabéns a todas as mulheres!
*Laismeris Cardoso de Andrade é 3ª vice-presidente do Centro do Professorado Paulista

Sim, Profa Lais, parece absurdo falar em violência contra a mulher em pleno século XXI, no entanto, o Brasil está no 5o. Lugar entre os países que mais acontecem feminicídios.