
Sob pressão por mudanças e ampliação de prazos, o secretário de Educação Básica do MEC (Ministério da Educação), Rossieli Silva, evitou definir um prazo final para concluir o currículo nacional. O debate sobre o tema foi promovido pelo jornal Folha de São Paulo na segunda-feira (27). O encontro sobre a Base Nacional Comum Curricular reuniu, além de Silva, o economista-chefe do Instituto Ayrton Senna, Ricardo Paes de Barros, o professor de história Ricardo Dreguer, o diretor-executivo da Fundação Lemann, Denis Mizne, e o professor de língua portuguesa do Instituto Sidarta, José Ruy Lozano.
A base vai definir o que os alunos da educação básica vão aprender. O consenso entre os participantes foi de que a segunda versão do documento, divulgada em maio, ainda tem deficiências. Entre as críticas estão o inchaço de conteúdos e a falta de “conversa” entre os objetivos de aprendizagem e os conceitos introdutórios.
A base deveria estar pronta até a semana passada. Com o afastamento da presidente Dilma Rousseff, a nova equipe do MEC passou a trabalhar com a perspectiva de finalizá-la até novembro. Agora, Silva não definiu data. “A base está em construção. Há um debate em andamento e não sei o resultado dele.” Ele refutou a ideia de que o texto vá ao Congresso, como defendem alguns deputados. O Currículo passa por discussões nos Estados, que devem ocorrer até agosto.
“Apesar dos problemas, o MEC fez um excelente trabalho. Mas não tem por que ficar apressado”, disse Paes de Barros. Para Mizne, é possível concluir neste ano. “De um lado, tem a urgência do país por uma base e, do outro, a necessidade de não fazer as coisas com pressa.” Segundo Ricardo Dreguer, falar em sistematização agora seria “pular etapas”. “Estamos longe da sistematização, pedimos mais um ano de discussão, no mínimo. Saímos de conteúdos vagos [na 1ª versão] para uma listagem de conteúdos.” Dreguer afirma que a base não atende as necessidades de quem está na sala de aula. A opinião é compartilhada por Lozano. “A base foi gestada no topo da academia, faltou participação dos professores.” Ele cita a exigência de que um aluno aprenda nove gêneros textuais no 6º ano. “Nem vai caber no livro.”
Fonte: Folha de São Paulo
