
O Dia Mundial da Obesidade incentiva pessoas a reverter essa segunda epidemia global. Antes de 2020, era 11 de outubro. Entretanto, a data foi alterada para 4 de março.
O assunto é muito sério. A Revista Eletrônica Acervo Saúde (Electronic Journal Collection Health ISSN 2178-2091) publicou, em janeiro de 2018, o estudo “Prevalência de obesidade e fatores associados em professores e funcionários das escolas estaduais de São Paulo.”
A publicação alerta para a intervenção e tratamento da obesidade em professores e funcionários de escolas públicas para promover a saúde e mudanças na qualidade do ensino, diminuindo, assim, os elevados custos dos serviços de saúde, incapacitações, mortalidade precoce, com grande impacto social (Santos; Marques, 2013; Oliveira et al., 2015).
Os dados são alarmantes e preocupantes, afinal, a obesidade reduz não apenas o tempo de vida das pessoas, mas também sua qualidade de vida.
Para o Dr. Admar Concon Filho, cirurgião bariátrico, cirurgião do aparelho digestivo e médico endoscopista, a obesidade é uma doença, não um desleixo.
“É uma doença grave, que não tem cura, mas é tratável. Só que este tratamento precisa ser feito por toda a vida. O maior problema da obesidade é que ela gera ou agrava outras doenças, que chamamos de comorbidades. Temos dezenas mas vou citar aqui apenas as principais: hipertensão arterial, aumento do colesterol e do triglicérides, diabetes tipo 2, apneia do sono, problemas ortopédicos, hemorroida, varizes nos membros inferiores, problemas pulmonares, como asma e bronquite, e cefaleia. Com essa pequena lista, já podemos ter uma ideia do quanto a obesidade é grave.”
Considerada um dos principais problemas de saúde pública do mundo, a obesidade não para de crescer. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde 2019, de 21 de outubro pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o percentual de adultos obesos mais que dobrou no Brasil em 17 anos. O índice, que era 12,2%, entre 2002 e 2003, subiu para 26,8%, em 2019. A mesma pesquisa mostra que 60,3% da população com idade acima de 18 anos estava com excesso de peso no ano passado.
A obesidade, por si só, já é uma doença, e, com o tempo, vai gerar ou agravar outras doenças. Por isso, é importante agir desde cedo, ainda na infância, estimulando as crianças a terem uma alimentação saudável e a serem mais ativas. Hoje, é comum que as crianças fiquem horas no videogame ou com o celular na mão, o que reduz o gasto calórico, se comparado a um jogo de futebol, a uma brincadeira na rua com os amigos. Além disso, com a correria do dia a dia, os pais costuma adotar uma alimentação mais calórica, com alto consumo de fast-food, por exemplo.
A obesidade é uma doença multifatorial e, portanto, precisa da abordagem de vários profissionais: nutricionista, endocrinologista, psicólogo e, nos casos mais graves, cirurgião bariátrico. É comum que as pessoas obesas passem por vários tratamentos sem sucesso ao longo da vida. Não emagrecem ou emagrecem e voltam a engordar.
A pessoa obesa sofre uma série de restrições em sua vida. Muitas vezes, se isola socialmente, se sente envergonhada e desmotivada para sair de casa. É comum ouvirmos relatos de mães que não conseguem brincar com os filhos por causa da obesidade e se sentem culpadas por isso. Tarefas simples do dia a dia, como amarrar um sapato, encontrar uma roupa que sirva e até fazer a própria higiene, costumam ser difíceis. Por tudo isso, precisamos ter mais empatia com a pessoa obesa.
Por tudo isso, precisamos ter mais empatia com a pessoa obesa. Precisamos acabar com o preconceito com a pessoa obesa, precisamos apoiar e incentivar quando ela decide fazer qualquer tipo de tratamento contra a obesidade, inclusive a cirurgia bariátrica. Ainda há muita desinformação sobre isso e a pessoa, quando opta pelo tratamento cirúrgico, costuma ouvir uma série de críticas, que vão desde que esse “é o caminho mais fácil” até “você vai morrer”.
Mas os riscos da obesidade são muitos. Também precisamos de políticas públicas eficientes que ajudem a prevenir a obesidade e que ofereçam amplas opções de tratamento para esta doença. No Brasil, o acesso a alguns tratamentos ainda é muito limitado, principalmente para o paciente que depende do SUS (Sistema Único de Saúde), conclui o cirurgião.
O Dr. Admar faz um alerta aos professores:
“Entre os hábitos que facilitam a obesidade, estão o sedentarismo e o consumo de alimentos calóricos. Por isso, é importante as pessoas modificarem essa dinâmica, principalmente, as que têm profissões em que não há uma perda calórica muito grande, como é o caso dos professores, que passam a maior parte do tempo sentados ou em pé, mas sem grande movimentação. Há alguns estudos, com grupos menores, que apontam que há uma prevalência significativa de sobrepeso e obesidade na categoria. Portanto, é muito importante que, fora da sala de aula, eles adotem hábitos mais saudáveis, com uma alimentação menos calórica e a prática de atividade física.”
Quem não engordou desde o começo da pandemia? É inegável que manter uma boa relação com a balança ficou ainda mais difícil. Porém, é preciso considerar que a obesidade é um fator de risco altíssimo às pessoas contaminadas pelo COVID-19. Boletins epidemiológicos do coronavírus de diferentes secretarias de saúde apontam que aproximadamente 7% dos pacientes morreram vitimados pelo vírus eram obesos.

Excelente matéria, o dr. Admar resumiu bem o cotidiano do docente. O sedentarismo pela falta de uma movimentação maior em sala de aula, e rápidos lanches na troca de uma escola para a outra.
Também temos o estresse diário em tempos atuais.
Parabéns.