Os números são alarmantes. Apesar de pequenas melhoras nos últimos anos, 85,3% dos municípios brasileiros têm menos de 25% dos estudantes com aprendizagem adequada em matemática no 9º ano do ensino fundamental, incluindo escolas públicas e privadas. Essa deficiência aumenta no ensino médio, onde apenas 7,3% dos alunos no país conseguem superar o mínimo de conhecimento considerado adequado para essa etapa.

 

 

“Esse resultado reafirma a necessidade de políticas específicas para cada uma das etapas [da educação básica] para dar saltos expressivos em qualidade. Só colocar as crianças dentro das escolas, que é um avanço, mas continuar a escola com um modelo antiquado não vai dar certo”, diz Ricardo Falzetta, gerente de conteúdo do Movimento Todos pela Educação, entidade que acompanha os percentuais de alunos nos municípios com proficiência adequada em matemática e língua portuguesa.

 

O cenário em língua portuguesa é um pouco melhor, mas também deixa muito a desejar. Em 43,5% dos municípios, 3 em cada 4 alunos não têm aprendizagem adequada nesta disciplina; em outros 50,6% dos municípios, a quantidade de estudantes com aprendizagem adequada não passa da metade do total de alunos. O desempenho no 9º ano considerado adequado na análise é de 275 pontos em língua portuguesa e 300 pontos em matemática, número estipulado a partir da média conquistada por alunos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em avaliações internacionais, como o Pisa.

 

A pior fase de todas: o ensino médio

Na última etapa da educação básica, o desempenho em matemática piora ainda mais, o que não é uma novidade. “Já há bastante tempo que uma das coisas mais difíceis de serem feitas no Brasil é montar um teste de matemática no nível de 3ºano do ensino médio. Se não fossem pelos itens de 9ºano do ensino fundamental que a tais testes são comuns, praticamente haveria apenas respostas aleatórias. A proficiência média dos egressos do ensino médio brasileiro é pouco maior do que a proficiência média dos egressos do ensino fundamental”, aponta Carlos Mathias, da UFF.

Para o professor, as políticas públicas devem centrar-se em reduzir a evasão escolar no ensino fundamental e no 1º ano do ensino médio por meio de um currículo mais atraente para os estudantes e que, de fato, faça com que eles sintam que valha a pena permanecer na escola.

 

Avanço até o 5º ano

O levantamento confirmou a melhora nas notas tanto de português quanto de matemática nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano). Entre 2005 e 2015, caiu de 62,6% para 13,7% o número de municípios com mais de 75% dos alunos sem conhecimentos suficientes em língua portuguesa no 5º ano fundamental. A melhora em matemática também é significativa: nos dez anos, o número de municípios com mais de 75% dos alunos sem proficiência adequada na disciplina caiu de 86,1% para 30%. O estudo confirmou ainda um dado comprovado em outras pesquisas: municípios com famílias de nível socioeconômico mais alto têm melhores notas do que aqueles com populações mais pobres.

 

Com informações da Gazeta do Povo