‘Confundido’ com ladrão, docente é acorrentado em poste, linchado, e dá aula de Revolução Francesa para sobreviver
Seis dias após ter sido acorrentado em um poste e espancado por moradores do bairro Balneário São José, na Zona Sul, o professor de história André Luiz Ribeiro, 27 anos, junta a força que lhe restou para “limpar o seu nome”. Ontem, amigos e familiares fizeram ato em frente ao 101º DP (Jardim das Embuias), onde ele foi indiciado por roubo a um bar.
Ele jura ser inocente desde quando seu calvário começou, na quarta-feira passada. “Cumpria uma rotina de anos, fazendo meu cooper no final da tarde. Todos me conhecem por isso. Duas pessoas desceram de um Fusca e começaram a me bater”, contou André.
Pouco antes das 19h, um trio de ladrões havia roubado um bar nas redondezas. As vítimas, que ocupavam o Fusca, dizem que o professor estava entre os assaltantes. Quando o viram correndo com um fone de ouvido e bermuda, o capturaram.
Segundo André, 20 pessoas o lincharam, e ele só sobreviveu porque bombeiros passavam pelo local. A PM chegou depois e acalmou os ânimos. “Tive de dar uma aula de Revolução Francesa a eles para provar que sou professor. Estava sem documentos porque moro ali perto”, disse.
Como as vítimas do roubo ao bar apontaram André como um dos ladrões, ele foi preso em flagrante e indiciado. Na sexta-feira, a Justiça lhe concedeu liberdade provisória para cuidar dos ferimentos. “Eu já tinha perdido as esperanças. Até pedi para minha mãe levar livros para mim. Meu medo era não poder dar mais aula”, contou.
Hoje o advogado de André vai ao 58º DP (Jardim Mirna) para registrar ocorrência de lesão corporal e tentativa de homicídio. “Não desejo o mal aos meus agressores. A população está desassistida. Os estádios são padrão Fifa. As escolas, padrão Fundação Casa. O professor, além de ganhar pouco, é espancado na rua”, desabafou.
Secom/CPP
