Proposta do MEC já era considerada extensa antes de receber sugestões . Consulta pública sobre o texto que estabelece o que deve ser ensinado aos estudantes do país ficará aberta até março

 

Depois do debate a respeito do conteúdo do currículo nacional, o Ministério da Educação enfrenta agora um novo desafio: reduzir o volume de informações proposto para as escolas de todo o país. Lançada em setembro, a chamada base nacional comum reúne 1.700 objetivos de aprendizagem para todas as etapas da educação básica – volume considerado extenso por especialistas e pela própria pasta.

 

Ali, por exemplo, está previsto que um estudante do 3º ano do fundamental deve aprender a ler e registrar horas e um aluno do 2º ano do ensino médio deve compreender o funcionamento de circuitos elétricos simples.

 

A primeira versão do currículo foi colocada em consulta pública e, até dezembro, recebeu um universo de 4 mil sugestões. O processo ficará aberto até 15 de março.

 

Até esta quarta (17) o site da Base registrava mais de 10 milhões de contribuições, entre sugestões, críticas e comentários. Parte delas já foi encaminhada para análise de pesquisadores da UnB e da PUC-Rio. “Nosso trabalho é de garimpo: estamos em busca da pepita, daquilo que vai chegar aos especialistas [que formularão a base]”, diz Marcelo Burgos, professor de ciências sociais e um dos coordenadores da PUC-Rio.

 

Inchaço

Para Priscila Cruz, diretora-executiva da ONG Todos pela Educação, a versão inicial está “extremamente inchada e prolixa” e precisa passar por revisão, especialmente no ensino médio, em que está prevista maior variedade de conteúdo. “O que queremos, no final é que [o documento] seja a base, e não o todo. Senão, ele vai inibir a diversificação de conteúdos e projetos inovadores”, afirma.

 

A proposta do governo federal é contemplar na base comum 60% do currículo das escolas, sendo que o conteúdo restante ficará a cargo dos Estados e municípios. “A base não pode ocupar todo o tempo disponível, se não vai se tornar um currículo único e asfixiar as trilhas diferenciadas [de formação] dos jovens”, completa Antonio Neto, secretário de Educação do Rio de Janeiro.

 

O MEC informou que a intenção é chegar a uma base “mais concisa”, de forma que “não comprometa a autonomia dos professores” e represente o conhecimento “básico e essencial” a que os estudantes devem ter acesso.

 

A expectativa é que esse debate seja concluído até junho deste ano, data limite para a entrega do documento ao Conselho Nacional de Educação, como previsto na lei do Plano Nacional de Educação.

 

Fonte: jornal Folha de São Paulo