Entidade faz cobranças sobre retorno de aulas presenciais, teletrabalho, bônus e participação em reuniões de interesse da classe

 

O Centro do Professorado Paulista cobrou da Secretaria da Educação do Estado (Seduc) respostas sobre questões pendentes do magistério paulista. Em ofício protocolado nesta terça-feira (21), a entidade sinalizou preocupação com a situação dos profissionais da educação e das escolas públicas na pandemia, especialmente em relação ao teletrabalho e ao retorno das aulas presenciais, pedindo reunião com o secretário Rossieli Soares para tratar dos assuntos. Também foi solicitada resposta sobre a situação do Bônus Mérito 2019.

No documento, o CPP listou as reivindicações mais recentes, com destaque para o momento difícil de uma pandemia que paralisou não apenas o estado de São Paulo, mas o mundo, resultando em ensino remoto. “Em um primeiro momento, de maneira responsável, a entidade buscou dar crédito aos atos publicados pela Seduc, visto se tratar de um momento atípico. Porém, pelo que temos recebido de nossos associados, as coisas não saíram como o esperado.”

Diariamente, professores têm buscado a entidade para reclamar de sobrecarga de trabalho, de exigências de seus superiores, que beiram o absurdo e o abuso, e tudo com ameaças de punições. “A vida do professor virou um tormento”, afirma o ofício, que elenca cobrança de resultados, frequência de alunos, atividades em várias plataformas, o que, muitas vezes, faz com que os professores trabalhem com carga horária acima daquela pela qual recebem os já reduzidos salários. 

O possível retorno às aulas, em 8 de setembro, foi destacado como extremamente preocupante. Como não há vacina, tratamento definido contra a Covid-19, o plano do Governo de São Paulo não garante em absolutamente nada a plena segurança dos estudantes, professores e demais servidores. “Especialistas mostram estatísticas aterradoras quanto ao momento, prevendo um crescimento na propagação do vírus de forma brutal. Por mais que se tente conter a aglomeração, no ambiente escolar isso se tornará praticamente impossível.”

Diante do exposto, o CPP é contra aulas presenciais em breve e só apoiará a volta quando o Estado puder garantir, integralmente, o que inclui estrutura das escolas, segurança para toda a comunidade educacional. “Nas atuais circunstâncias, querer que professores, demais servidores da Educação e alunos retornem às escolas é, no mínimo, insensato. Estaremos primeiro ao lado da classe que defendemos”, afirma a entidade.

Paira incerteza sobre o planejamento de retorno, mesmo porque diversos professores e estudantes fazem parte do grupo de risco. Além disso, fala-se em um primeiro momento que o retorno será de 35% dos alunos matriculados. Fica a pergunta: 35% dos alunos da escola? 35% dos alunos de cada sala de aula? Se 35% dos alunos da classe, como ficarão as aulas dos demais 65% dos alunos? Continuarão em EAD? Quem ministrará essas aulas? Ou, o que é pior, simplesmente ficarão sem aula?

O CPP QUER

> Melhoria nas condições de teletrabalho, deixando claro tanto aos professores, quanto aos superiores, os limites que devem ser, realmente, utilizados, coibindo a prática de determinação do uso de ferramentas que não foram definidas pela Seduc, bem como das ameaças de punição que professores estão sofrendo quando não atendem aos pedidos absurdos de alguns de seus superiores;

> Que o retorno presencial dos alunos ocorra, tão somente, quando a Seduc e o Governo do Estado puderem garantir a segurança total de alunos, professores, servidores da educação em geral e comunidade, em suas unidades escolares, bem como real contenção da propagação do coronavírus, o que se reflete na existência de vacina/tratamento comprovadamente eficaz;

> Outro ponto extremamente urgente é a divulgação da data de pagamento do Bônus Mérito 2019, uma vez que o Estado não pode postergar o pagamento de um direito plenamente adquirido;

> Que a Seduc, retribuindo o respeito que o CPP sempre teve por essa pasta, volte a convidar a entidade para toda mesa de negociação, sobre qualquer assunto que vá, direta ou indiretamente, afetar a categoria do magistério.

O CPP, completando sua nona década, se sente no direito de não admitir ser tratado como uma entidade de pouca expressividade. E exige respeito ao seu tempo de existência, sempre na luta pelos direitos dos associados. Como entidade de classe mais antiga da América Latina, o CPP não aceita ser mantido à margem das discussões que envolvem a categoria.

ACESSE O OFÍCIO

Oficio_CPP_Seduc_21_7.pdf