Foto: João B. de Andrade, na presidência do Memorial/Leandro Silva

“Dou valor a todas as formas de expressão cultural. Portinari é uma coisa, Chaves é outra, a Biblioteca é outra e o Pavilhão da Criatividade, outra. Cada forma de cultura tem o seu lugar. Por isso, adotamos o slogan: o espaço público para a cultura. O que estou fazendo no Memorial é o exercício de ver a cultura sem preconceito algum.”

A afirmativa é do premiado escritor e cineasta mineiro, João Batista de Andrade, presidente do Memorial da América Latina. Foi secretário de Cultura do Estado de São Paulo em 2006. Hoje, como presidente de um dos mais importantes polos culturais da cidade, concedeu esta entrevista ao Portal CPP. Confira.

Portal CPP: esta não é a primeira vez que o Memorial da América Latina expõe o cenário do Chaves. Como foi a primeira edição e quais as expectativas para a atual?

João Batista de Andrade:  A primeira foi logo que o  Roberto Bolaños, ator e criador do personagem, morreu. Foi uma coisa improvisada. Entrei em contato com o SBT, eles ficaram interessados em fazer essa exposição. Isso veio ao encontro da política que eu queria implementar no Memorial, que, como diz nosso slogan, é um “espaço público de cultura”, uma visão crítica sobre o aproveitamento dos nossos espaços externos. Pensei comigo: temos aqui do nosso lado o terminal Barra Funda, por onde circulam diariamente cerca de 400 mil pessoas, um público que potencialmente poderíamos atrair para conhecer o Memorial e participar de sua programação. Temos muitos espaços a serem usados pela cultura. Então, voltando ao metrô, pensei: esse é o público do Chaves, pessoas que quase não têm acesso à cultura. E foi um sucesso. Houve filas intermináveis, milhares de pessoas passaram a conhecer as ofertas culturais de níveis mais elaborados como o Pavilhão da Criatividade, o Salão de Arte Portinari e as Galerias com Exposições de Arte. Quer dizer, deu certo porque a população vinha para ver o cenário do Chaves, um fenômeno cultural que eu admiro, mas tiveram, também, a oportunidade de conhecer outras ofertas culturais, como, por exemplo a obra de um grande pintor brasileiro, Portinari, ou a maior Biblioteca latino-americana do país. Tudo isso representa  um ganho impressionante para o Memorial e para o público. Desta vez, foi bem planejado porque tivemos mais tempo e conseguimos, em sucessivos contatos com o SBT e a Televisa, trazer a réplica do  cenário original da Vila do Chaves. Calculei que, se a primeira exposição foi espetacular, nesta teríamos duas ou três vezes mais público. De fato, o interesse do público nos surpreendeu, a tal ponto que estamos prorrogando a visitação para o dia 30 de abril, quando seria encerrada no fim de março. Isso nos dá a perspectiva de um resultado 15 vezes superior de público em relação à exposição de 2014.

Esse público consegue enxergar a preciosidade arquitetônica e todo o valor do Memorial?

Consegue. O saldo é impressionante. A frequência de todos os espaços internos dos prédios triplica porque as atrações nas áreas externas trazem grande público ao Memorial.

O Memorial é um importante polo cultural em SP. Uma das atrações mais visitadas da cidade. O que vocês prepararam para 2016?

Começamos com eventos ligados à gastronomia latino-americana. O Festival das Cores, que é uma tradição indiana, enche a Praça Cívica de jovens, da mesma forma que o Nikkey Matsuri, importante festa da cultura japonesa. Conjugamos política cultural com política criativa. Temos ofertas de nível mais elaborado, como o Painel Tiradentes, um dos quadros mais famosos do Portinari, assim como a Biblioteca, a Galeria, tudo conjugado com os estudos que o Memorial propicia, cursos que chamamos de cátedra, com professores de altíssimo nível, que discutem diferentes temáticas. Esse ano é a política e Marco Aurélio Nogueira, professor renomado da UNESP, é o catedrático convidado. O que estou fazendo no Memorial é o exercício de ver a cultura sem preconceito algum, ver que tem cultura em todos os níveis da sociedade. Dou valor a todas as formas de expressão cultural. Portinari é uma coisa, Chaves é outra, a Biblioteca é outra e o Pavilhão da criatividade é outra. Cada forma de cultura tem o seu lugar. Aqui mantemos o exercício democrático dessa visão.


Biografia
                                                                                                                                                            

Como Secretário de Cultura do Estado de São Paulo, João Batista de Andrade criou o PROAC, Programa de Incentivo Cultural que beneficia cinema, teatro e diferentes formas de ações culturais. Foi eleito o “Intelectual do Ano” por ter publicado, em 2013, o livro “Confinados – Memórias de um tempo sem saída” e por sua carreira na área artística, intelectual e política, como criador e gestor público. O prêmio é conferido tradicionalmente pela União Brasileira de Escritores (UBE).

A Turma do Chaves –  Vila oficial até 30 de abril

A avalanche de fãs que procuram ingressos para ver a Vila do Chaves – mais de 60 mil foram vendidos nos 10 primeiros dias – levou a direção do Memorial da América Latina a e seus parceiros do SBT e da Televisa a prorrogar a exposição até o dia 30 de abril.
 

Horários:

3ª e 4ª: 9h às 18h | 5ª e 6ª: 9h às 20h | Sábado e Domingo: 9h às 22h

Pavilhão da Criatividade – Praça da Sombra

Memorial da América Latina – Metrô Barra Funda

Portões 8, 9 e 13

Ingressos: R$ 10 e R$ 5

No Memorial: prédio da Administração – de domingo a domingo, das 9h às 17h (portões 8 e 9)

Online: Ingresso Rápido