
Estavam todos no Auditório da Biblioteca do Memorial da América Latina. Era a última aula do Curso de Linguagem Audiovisual para Professores de 1º e 2º graus que o Centro Brasileiro de Estudos da América Latina promoveu, durante 20 horas, divididas em quatro semanas, na Biblioteca do Memorial.
O coordenador foi o cineasta Gregório Bacic, diretor do programa “Provocações” da TV Cultura, com o apoio de Kátia Camargo, curadora e produtora de mostras de cinema.
Para o diretor, o objetivo é transmitir que, por meio do Audiovisual, existe uma linguagem bem diferente daquela que a maioria dos professores teve na escola. “O audiovisual oferece uma linguagem que fala mais diretamente às emoções do que às palavras, que normalmente se dirigem ao intelecto. Muitos professores, aqui no curso, tomaram a iniciativa de realizar com os alunos trabalhos em suas comunidades, geralmente na periferia. Achamos tão rica essa ação que criamos um canal de comunicação especialmente para os professores que tenham dúvidas, que queiram trocar informações, experiências e saber novidades sobre o curso e a linguagem do audiovisual. O e-mail é: linguagem.audiovisual2016@gmail.com.
Muitos educadores desconheciam o conceito da Lei 13.006 de 27/06/2014, de autoria do Senador Cristovam Buarque, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para compelir a exibição de filmes e audiovisuais de produção brasileira nas escolas da educação básica.
Como diretora do Centro Brasileiro de Estudos da América Latina, da diretoria acadêmica do Memorial da América Latina, a professora Marília da Silva Franco aponta a importância do cinema na sala de aula: “Minha área é cinema e educação. Vejo que a grande colaboração deste curso é trazer a percepção de como o lado afetivo do audiovisual mexe com a razão do professor e de como isso é pedagógico. É preciso entender a construção desta linguagem. O audiovisual deve ser um aliado, um parceiro do ensino, senão, esta lei não pega. O brasileiro não consegue se ver na tela do cinema. Mas se enxerga na TV. É importante trazer o cinema brasileiro para a sala de aula, ajuda na formação do aluno, em sua cidadania. Os problemas estão lá, a partir do que os filmes colocam. Demorou muito para a proposta do Cristovam Buarque virar lei realmente.”
Durante as aulas os professores puderam identificar a estrutura das formas narrativas do rádio, do cinema e da televisão, além de conhecerem as tecnologias implicadas. E puderam, também, discutir acerca da elaboração de roteiros, produção e captação de cenas.
Para Kátia Camargo, é muito importante que os professores possam apropriarem-se desta linguagem. “Este curso está preenchendo uma lacuna. Os alunos estão rápidos, mais fixados no audiovisual do que na escrita e na linguagem oral. Estão sabendo mais do que os professores, no que diz respeito à tecnologia. A função dos professores é mesclar toda essa linguagem, mostrar todas as possibilidades e se apropriar do que está vindo por aí.
Willian Siqueira afirma que o curso amplia as possibilidades de trabalho em sala de aula. “Trabalho em um curso de idiomas. Gostei porque me tornei mais crítico acerca de filmes e, além disso, me deu muitas ideias do que fazer com meus alunos no curso de idiomas. Só para ter uma ideia, até a terceira aula, eu já tinha montado 5 atividades diferentes para os meus grupos.”
Dimitra Dragassakis, associada do CPP, que atua na DRE Sul 2, integrante do núcleo pedagógico de tecnologia, também enxerga o curso como uma poderosa ferramenta para ampliar as possibilidades de comunicação do professor. “Por meio do audiovisual você amplia as perspectivas e estratégias de como trabalhar o corte de uma cena, de um filme, além de resgatar a origem do cinema. O curso detalha a parte pedagógica. Este resgate traça um panorama mundial do que acontece com a evolução dos equipamentos tecnológicos.”

A primeira edição do curso foi ministrada aos professores, às terças-feiras, entre 24/05 a 14/06, no Auditório da Biblioteca do Memorial da América Latina. De acordo com o número exigido de presença, os professores receberam certificado de conclusão.
A professora Marília da Silva Franco informa que a segunda edição do “Curso de Linguagem Audiovisual para Professores” está prevista para o segundo semestre deste ano.
