Somente 15% dos alunos têm conhecimento pleno em ciências e mais de 60% sofrem para resolver problemas básicos de matemática e conseguir ler
Enquanto não consegue formar os alunos do ensino médio no tempo ideal, as escolas do Brasil também sofrem com a qualidade oferecida aos estudantes do ensino fundamental. Um estudo da Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) divulgado na semana passada mostrou que somente 15,66% dos alunos do 1º ao 9º anos do Brasil apresentam nível bom ou ótimo em ciências naturais.
Do total, só 1,46% pode ser considerado excelente na disciplina, ou seja, cinco em cada seis alunos têm desempenho fraco e somente um a cada seis tem desempenho bom ou muito bom em ciências. Em matemática e português a situação é um pouco melhor, mas nem por isso pode ser comemorada. Menos da metade dos estudantes chega ao 7º ano com nível bom ou excelente em leitura (49,93%) e em matemática (40,4%).
Em leitura, o Brasil aparece na sexta posição na comparação com os demais países, com 523,93 pontos no 7º ano e 519,33 no 4º ano. Em ciências o país está na sétima colocação, atrás de Costa Rica, Colômbia e Peru. O Chile lidera nos dois rankings.
O Terce (Terceiro Estudo Regional Comparativo e Explicativo) avaliou 134 mil estudantes de 15 países da América Latina. O resultado no Brasil traz alguns dados alarmantes: quase 60% dos alunos do 4º ano do ensino fundamental não conseguem resolver um problema que envolva duas operações matemáticas (soma e multiplicação ou soma e divisão, por exemplo). Na prova de leitura, quando o aluno é obrigado a inserir uma informação de conhecimento geral para conseguir interpretar o que está escrito, o mesmo percentual dos estudantes do 4º ano têm dificuldades. A maioria dos que cursam o 7º ano não sabem, por exemplo, comparar duas frações (definir se meio é maior ou menor do que três quartos) ou integrar duas informações no mesmo parágrafo de um texto.
Secom/CPP
