Em sua segunda edição e em parceria com a Fundació FC Barcelona, o projeto liderado pelo Instituto Rodrigo Mendes envolveu 15 capitais brasileiras

Em 2015, professores, gestores escolares e técnicos de secretarias municipais de 15 capitais brasileiras participaram de uma formação sobre Educação Física inclusiva. Cerca de 51 mil pessoas, dentre elas 37 mil crianças e adolescentes, foram impactados pelo projeto que desenvolveu 122 experiências educacionais locais, envolvendo 458 profissionais participantes.

“Abrir as portas das escolas públicas regulares para as crianças com deficiência, garantindo o direito de aprender e se desenvolver de forma integral é o objetivo do projeto Portas Abertas para a Inclusão, pilotado pelo Instituto Rodrigo Mendes, Unicef e pelo parceiro Fundació FC Barcelona”, explica Rodrigo Hübner Mendes, superintendente do Instituto Rodrigo Mendes.

A metodologia do projeto envolve a elaboração de um diagnóstico sobre a realidade local de cada instituição de ensino e o desenvolvimento de projetos voltados à garantia de participação de todos no ambiente escolar. Os cursistas foram estimulados a trocar experiências e repensar as práticas pedagógicas. “Por meio do esporte e da brincadeira, queremos promover o direito das crianças com deficiência de estarem na escola, aprendendo e se desenvolvendo com as demais”, destaca Rodrigo Fonseca, especialista da área de Esporte para o Desenvolvimento do UNICEF no Brasil.

Resultado

– os educadores que participaram da formação inovaram em propostas para incluir todos os alunos nas aulas;
– é possível mudar a forma de toda escola compreender e se relacionar com as diferenças humanas, superando desigualdades, por meio da ressignificação da educação física;
– formação de professores;
– elaboração de um guia de práticas de educação física inclusiva, criado partir das experiências desenvolvidas pelos participantes do projeto.

Cases e Inspirações

São Paulo – CEU Quinta do Sol | Atividades cooperativas
Desafio: mobilizar os demais professores para a questão da educação inclusiva e repensar as atividades físicas para que todos pudessem participar.
Alunos participantes (com deficiência na escola): 37
Estratégia para a inclusão: realização de um circuito de atividades, no qual as crianças passariam por cada estação realizando um conjunto de brincadeiras. Ao final, foi realizada uma mostra cultural com a exposição dos resultados e trabalhos dos estudantes.
As atividades escolhidas e separadas por estação:
1.  Brincadeiras de roda: batata quente, passa-anel, telefone sem fio;
2.  Jogos de estafeta: com arco, jornal, sinos, colchonetes, ata e desata, ligeirinho, alvo com cones, entrega do jornal;
3.  Brincadeiras com bambolê, peteca e cordas;
4.  Danças infantis;
5.  Natação. 

Resultados: 

Marcela, professora da sala regular, ficou surpresa com os resultados do projeto: “Notamos uma proximidade dos docentes com os pais das crianças. Antes, o contato era feito somente pela coordenadora pedagógica”.
Rio de Janeiro – Escola Municipal Floriano Peixoto | Esportes inclusivos
Desafio: transformar a unidade em um espaço efetivamente inclusivo.
Estratégia: fazer as atividades propostas se tornarem um meio para acessar novos conhecimentos que possibilitassem o desenvolvimento da educação inclusiva para garantir a aprendizagem de todos.
No projeto desenvolvido na escola, foram criados novos esportes inclusivos, como:
•      Futebol de pano em três fases: no chão, sentado na cadeira e em pé;
•      Slackline: slackine solidário, slackline autônomo e slackline cego;
•      Jogo da bola maluca: o esporte foi criado pelos estudantes e é jogado com uma bola americana com a rede baixa e alta;
•      Vôlei sentado: houve flexibilização das regras do esporte adaptado para se tornar inclusivo;
•      Corda amiga: o ritmo da corda é determinado por quem pula;
•      Jogos de passes: jogo em duplas em que trocam a bola durante o deslocamento;
•      Pique sensorial: os alunos de olhos vendados encontram os colegas por meio de guizos amarrados ao pulso;
•      Corrida sensitiva: um estudante vendado é guiado por outro vidente;
•      Reactionball: criado na escola, usa regras definidas pelos próprios estudantes.
  

Resultados:

Elna, professora do AEE (Atendimento Educacional Especializado), revela com orgulho os resultados da participação dos estudantes com autismo: “Davi não conseguia ficar por muito tempo com os olhos vendados, mas fez questão de brincar com a venda na testa. Joubert, que no início participava somente um pequeno período, aos poucos foi aumentando a interação nas atividades, surpreendendo a todos”.
 
Belém – Escola Municipal Professora Terezinha Souza | Miniatletismo
Desafio: desenvolver um planejamento didático que contemple a aprendizagem de todos os alunos, sobretudo aqueles com deficiência
Estratégia: transformar o circuito de miniatletismo em uma atividade inclusiva e acessível a todas crianças do 5º ano, por meio das flexibilizações. Pensado a partir das particularidades de cada estudante, o minicircuito de atletismo arquitetado pelos docentes tinha a intenção de deixar de lado a competição. Para isso, as normas técnicas da prática esportiva foram alteradas com o objetivo de favorecer a participação e inclusão de todos nas atividades.
Como foi desenvolvido: pontuações, a verificação de tempo por cronômetros e as exigências físico-motoras foram repensadas. O salto, por exemplo, antes entendido como o ato de se atirar de um lugar, passou a ser visto como a ação de passar de um ponto para outro. O lançamento, por sua vez, conhecido pelo uso da força no arremesso, foi adotado como o ato de abandonar o objeto em determinado ponto. Já a corrida passou a ser praticada segundo os tempos e velocidades individuais.
Resultados: “Jonnhy, aluno com deficiência física, se destacou e fez questão de estar com o grupo, participar das atividades, se arriscando e sem medo de errar” conta a professora do AEE, Edselma. Ela também atribui o feito à família do garoto, que sempre o estimula a explorar suas potencialidades.
“O resultado foi tão bom que temos a intenção de levar o projeto para as turmas do 1° ao 5° ano nos jogos escolares, evento da rede que acontece em todas as unidades”, destaca o docente de Educação Física, Itair.