
“Neste momento a situação da educação no Brasil eu diria que está sob ameaça”. A opinião é da pesquisadora, psicóloga e professora da Faculdade de Educação da Unicamp, em Campinas (SP), Ângela Soligo, sobre o atual momento do ensino no país e a reforma do ensino médio proposta pelo governo federal. Para ela, é necessário ter mais conhecimento para saber educar no país e evitar a alienação, o fantasma da ditadura militar.
Na última semana, alunos que protestaram em Campinas contra a reforma chegaram a ser detidos. Primeiro após ocuparem uma escola estadual no dia 13 de outubro. E, nesta terça-feira (18), um deles recebeu descarga de uma pistola de choque usada pela Guarda Municipal. Ângela faz um alerta sobre esses acontecimentos.
“Esses estudantes estão fazendo o papel que todo cidadão e cidadã brasileiro deveria fazer, que é defender um bem coletivo que é a educação. Como a polícia está a serviço do poder, ela vai atacar quem hoje defende a democracia, é isso que está acontecendo”.
Para haver uma real mudança é necessário melhorar a estrutura das escolas e investir na valorização do professor, segundo a psicóloga. As medidas propostas na reforma do ensino médio não atendem às necessidades da educação brasileira.
“Para você ter uma educação de qualidade, isso a experiência mundial já mostrou, você precisa ter uma carreira docente valorizada”, afirma Ângela.
Em países como a Finlândia, que possui grandes índices educacionais, um dos aspectos centrais da educação é a carreira do professor, as condições de trabalho e a sua valorização, lembra a educadora.
“Queremos copiar a educação da Finlândia, vamos começar pelos professores. Em países que têm um bom desempenho educacional, têm uma grande valorização do trabalho do professor”, sugere.
A educadora, que foi estudante durante o período da ditadura militar, alerta que é preciso pensar que tudo o que é realizado no campo da educação afeta o conjunto da sociedade.
Para ela, o ensino proposto no período militar trouxe sequelas que ainda interferem no comportamento dos indivíduos.
“O impacto foi a formação de gerações com uma visão estreita de especialista, que é competente na sua área, mas que não pensa para além da sua linha reta. De um tecnicismo exagerado, cidadãos que não são capazes de pensar que o seu trabalho tem reflexos no conjunto da sociedade “.
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Fonte: G1
