Elaborar estratégias para melhorar as aulas de filosofia no ensino da disciplina em São Paulo e a permanente reavaliação do curso, abrindo caminho para que no futuro a gente aplique os conceitos de forma satisfatória. Estes foram alguns dos temas e ideias discutidos pelos professores da Unifai – Centro Universitário Assunção. Para a coordenadora do curso de Filosofia, Neide Coelho Boëchat, na perspectiva do ensino, todo professor, aquele que leciona na área de filosofia, deve ter uma formação e habilidade para exercer a função, no sentido de alguém preparado para mostrar para o aluno.

 

“Não é qualquer professor que tem habilidade para trabalhar com a matéria. Muitas vezes ele pode ter uma excelente formação e não ter habilidade para exercer a profissão. Antes de qualquer coisa, é preciso amar muito esta profissão, melhor, é preciso paixão”, afirmou. Boëchat disse que o ensino de filosofia no Brasil “está longe de ser satisfatório”. E faz duras críticas à educação em geral. “Se a educação como um todo é um verdadeiro caos, como esperar que uma disciplina ainda tão nova esteja bem? Não está”, enfatizou.

 

Já o reitor do Unifai, Edelcio Ottaviani questionou o método de avaliação que existe hoje. Para ele, a primeira preocupação no ensino de filosofia no estado é, sobretudo, “o engessamento pelo qual passa o docente”. Segundo o reitor, “ele (professor) tem de seguir cartilhas elaboradas pela Secretaria da Educação e essas cartilhas tiram da filosofia o que lhe é próprio, ou seja, tiram o “pensar criativamente questões de atualidade”. Como não permitem uma aplicação pedagógica e didática mais adequada de certos assuntos, as apostilas matam pela raiz o filosofar”.

 

Ottaviani se mostrou preocupado com a questão da duração do curso. “Além desse engessamento, faltam estímulos para que os estudantes leiam e analisem aquilo que leem. Isso tem a ver com o ensino fundamental e a forma como está sendo desenvolvido. A progressão continuada, embora possa ser uma alternativa viável em países desenvolvidos (e realmente é), em nosso caso, serve somente para duas coisas: punir os professores e não reter o aluno que não adquiriu as habilidades e competências básicas da alfabetização. Estes alunos serão os chamados analfabetos funcionais”.

 

Secom/CPP