
Ana Julia (16) pede, na Assembleia Legislativa do Paraná, que alunos sejam ouvidos sobre reformas na Educação
Um vídeo da estudante paranaense de 16 anos Ana Julia, na tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), em Curitiba, tem sido compartilhado por milhares de brasileiros. Em discurso para deputados da Casa, a jovem defende o movimento de ocupação das escolas públicas no Brasil. Nesta semana, o número de escolas e universidades ocupadas passa de 1 mil em contrariedade à PEC 241 e à Medida Provisória do Ensino Médio, ambas apresentadas pelo governo federal recentemente. “A nossa única bandeira é a educação. Somos um movimento apartidário, dos estudantes pelos estudantes”, disse Ana, que estuda no Colégio Senador Manoel Alencar Guimarães.
A jovem falou em tom de desabafo pelos estudantes que estão enfrentando previsões de cortes de investimentos nas escolas públicas com a PEC 241, uma proposta de reforma do Ensino Médio com um projeto que não está sendo debatido, e outro que quer interferir no currículo chamado Escola Sem Partido. “A quem a escola pertence?”, questionou ela, lembrando que o ‘rolo compressor’ das reformas vai chegar a seus filhos e netos. “A reforma na educação é prioritária, mas precisa ser debatida, conversada”, defendeu.
“É um insulto sermos chamados de doutrinados. Nós sabemos pelo que estamos lutando. Somos um movimento que se preocupa com a educação, com a sociedade, com o futuro do país. Que futuro o Brasil vai ter se não nos preocuparmos com uma geração de pessoas que vão desenvolver senso crítico? Nós temos que ser contra o analfabetismo funcional, que é um grande problema no Brasil hoje. É por isso que nós ocupamos as nossas escolas”, enfatizou a jovem, que na sequência defendeu a necessidade de amplo debate para as reformas propostas pelo governo.
O discurso de Ana Julia ocorreu em um momento de apreensão para o movimento das ocupações. Na tarde de segunda-feira, o estudante Lucas Eduardo Araújo Mota foi assassinado dentro da escola Santa Felicidade, em Curitiba, por um colega. O crime chocou os alunos e a comunidade e fez com que a escola fosse desocupada no dia seguinte. Havia a possibilidade de que a tragédia desmobilizasse o movimento em outras escolas. Mas isso não ocorreu.
O trecho do vídeo com o discurso, disponível na íntegra na página da ALEP, pode ser conferido abaixo.
