
O Museu da Língua Portuguesa, localizado na região central de São Paulo, foi atingido por um incêndio de grandes proporções na tarde desta segunda-feira (21). O fogo destruiu o acervo tecnológico do local, assim como boa parte do prédio centenário que também abriga a Estação da Luz. O bombeiro civil Ronaldo Pereira da Cruz foi a única vítima do acidente. Ele morreu de parada cárdiorespiratória enquanto atuava na operação de contenção das chamas. As causas do incêndio são desconhecidas até o momento.
Segundo o Corpo de Bombeiros, 37 viaturas e cerca de 100 bombeiros participaram do trabalho. Por volta das 17h o incêndio foi controlado, mas minutos depois as chamas atingiram a torre do museu. O trabalho da corporação foi intenso durante a tarde e a noite. Às 20h30, labaredas persistiam em algumas janelas do prédio, o que demandou novas ações da equipe. Um carro oficial da Sabesp chegou ao local para abastecer os veículos do Corpo de Bombeiros. Três vidraças do terceiro andar, então parcialmente estilhaçadas, foram quebradas pelos profissionais para garantir a entrada de água e contenção do fogo.
De acordo com o calendário oficial, o museu de três pavimentos e área de 4,3 mil m² estava fechado para o público. A Estação da Luz, pertencente à CPTM, foi fechada preventivamente. Ao final do dia, os oficiais do Corpo de Bombeiros informaram que a linha de trem provavelmente não tinha sido atingida. Entretanto, a divulgação dos estragos deve ocorrer nesta terça-feira (22). “Embora o trabalho de rescaldo dure a noite toda, só teremos condições de avaliar e determinar locais atingidos amanhã, pois dependemos da luz do dia”, afirmou o coronel do Corpo de Bombeiros, Marcos Palumbo. O incêndio começou no primeiro andar e passou rapidamente para os superiores.
Em nota, a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo esclareceu que todo o acervo do museu era virtual e que, portanto, será possível recuperação plena após a reconstrução do edifício, medida já anunciada pelo governador Geraldo Alckmin em visita ao local. A pasta garantiu ainda que o museu seguia todos os requisitos de segurança, com inspeção regular, e que possui seguro contra incêndio da ordem de R$ 45 milhões.
O secretário estadual de cultura, Marcelo Mattos Araujo, disse em entrevista coletiva que o museu tinha todos os equipamentos de segurança, porém não o alvará de funcionamento. “O documento é complexo porque envolve um prédio histórico e compartilhado com a Estação da Luz. Na parte do museu não existe alvará, mas existem projetos apresentados e implementados sob vistoria do Corpo de Bombeiros”, disse.
A Prefeitura de São Paulo informou por meio de nota que o museu não tinha o alvará de funcionamento, mas que outros documentos permitiam as atividades do empreendimento.
Histórico
O prédio foi inaugurado em 1901, histórico pelo período da cafeicultura e imigração. O museu, contudo, nasceu oficialmente em 20 de março de 2006 e abriu as portas no dia 21 do mesmo mês. Nos três primeiros anos de funcionamento mais de 1.6 milhão de pessoas visitaram o espaço, que se consolidou como um dos mais visitados do Brasil e da América do Sul.
O Museu da Língua Portuguesa era famoso por inovações tecnológicas. Predominavam nas salas de visitação telas digitais interativas, exposições em áudio e vídeo, entre outros materiais que relembram obras de grandes autores, como Carlos Drummond de Andrade, Machado de Assis, Euclides da Cunha e Fernando Pessoa. Ainda não há previsão de quanto tempo durarão os trabalhos de restauração.
