Amor pela profissão e assiduidade são os principais atributos que jovens do Ensino Médio esperam de professores nesta etapa de ensino. É o que mostra a pesquisa “Repensar o Ensino Médio“, do movimento Todos Pela Educação, divulgada recentemente. De acordo com o levantamento, que considerou características do educador em sala de aula, 80,9% dos alunos entrevistados classificaram “gostar da profissão/ter paixão pelo que faz” como mais importante. “Professor sempre presente” também foi apontado como fator imprescindível, alcançando 81,3% das indicações.


A pesquisa nacional foi realizada de setembro a outubro de 2016 em duas etapas, uma qualitativa e uma quantitativa. A quantitativa abrangeu jovens entre 15 e 19 anos e contou com 1.551 entrevistados. A fase qualitativa teve participação presencial de 377 jovens em grupos nas cidades de São Paulo (SP), Jacareí (SP), Florianópolis (SC), Itajaí (SC), Fortaleza (CE), Itapipoca (CE), Belém (PA) e Bragança (PA). Em algumas questões, os participantes tiveram de associar uma nota de 0 a 10 para a importância e a satisfação que eles atribuíam a cada elemento apresentado. 

Os dados mostram que os estudantes estão atentos aos valores transmitidos nas escolas e à atuação docente. Para eles, a escola ideal se preocupa com inclusão e assegura o mínimo de infraestrutura para garantir uma Educação de qualidade. Segurança, atenção às pessoas com deficiência e boa infraestrutura também apareceram como itens de maior importância e menor satisfação em relação às escolas. 


Os conteúdos curriculares e a maneira como eles são ensinados também surgiram como temáticas relevantes para os jovens. Eles estão pouco satisfeitos, por exemplo, com o uso da tecnologia em sala de aula e o ensino de língua inglesa, o que pode indicar fragilidades no currículo e na formação dos professores de língua estrangeira, bem como a falta de uma preparação docente para a sala de aula que contemple a inserção de dispositivos eletrônicos como ferramentas de aprendizagem. Aulas de informática foram apontadas por 54% como elemento menos satisfatório, seguido de segurança, acessibilidade, comprometimento dos alunos, boa infraestrutura e ensino de qualidade da língua inglesa. 

Com relação à função do Ensino Médio, os entrevistados declararam ansiar pela continuidade dos estudos em nível superior e esperam que a última etapa da educação básica os prepare para isso. 71,4% afirmaram que a principal motivação com o EM é estar preparado para o vestibular. O significado da etapa está mais atrelado à passagem para a educação superior do que à formação para a vida (10,2%) ou ao preparo básico para o mundo do trabalho (16,6%).

Ainda que a maioria dos jovens entenda o Ensino Médio como uma ponte para a Educação Superior, grande parte deles vê com importância uma formação básica que prepare para a vida profissional – 77,6% dos estudantes atribuem grau de importância 9 ou 10 para matérias dirigidas à formação profissional, técnica e aconselhamento. Contudo, apesar do expressivo assentimento, metade dos alunos do Ensino Médio Regular ou da Educação de Jovens e Adultos (EJA) diz não conhecer nenhuma modalidade de Educação Técnica. O recorte por classe revela ainda que a Classe DE é a que mais desconhece a modalidade.

Carreira no Magistério

A pesquisa também investigou o interesse dos jovens na carreira docente. Embora 38% dos jovens já tenham pensado em ser professor, 23% disseram ter desistido da ideia. O grupo que pretende seguir a carreira é relativamente maior na classe DE (16,6%), justamente o grupo que requer mais apoio à permanência na universidade.


Diante desse importante potencial de futuros professores, que poderiam amenizar a falta crônica de docentes no Brasil em algumas disciplinas, compreender a desistência é fundamental. Os principais motivos associados à rejeição da profissão refletem aspectos relacionados à baixa valorização que a sociedade brasileira atribui aos professores. De acordo com os entrevistados, o pouco respeito dos alunos (20,9%), o baixo salário inicial (17,7%) e o pouco reconhecimento da sociedade (14,2%) fazem com que a carreira não seja uma opção.

Participação Social

Além de escutar os jovens sobre as condições de ensino, a pesquisa também procurou compreender a maneira como a juventude tem se engajado: 43% dos jovens entrevistados afirmaram ter participado de algum movimento social no último ano, sendo que 8% deles participaram de três ou mais tipos de movimentos, entre as opções estimuladas estavam: manifestação pública, abaixo-assinado, greve, debates, atividades em grupos religiosos e voluntariado.


Esse potencial de engajamento dos alunos é relevante para o fortalecimento das instituições democráticas da escola e para que novos mecanismos de participação sejam criados, tema, por exemplo, das estratégias 19.4 e 19.6 do Plano Nacional de Educação (PNE).