No quadro ‘Por Dentro do Assunto’ desta semana, o professor Silvio dos Santos – 2º vice-presidente do Centro do Professorado Paulista, enfatiza que não adianta colocar lindas e elaboradas imagens na televisão nos horários destinados aos partidos políticos, enquanto a realidade espelhada, por meio das redes sociais que mostram a cruel realidade das salas de aula. E afirma que: “o problema do magistério paulista não se resolve com 7%”.
Secom/CPP
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Em relação à “meritocracia”, afirmo novamente não ser contra essa política, mas sim sou contra a forma que é aplicada, principalmente em relação ao plano de carreira, o qual é muito desestimulante. Em um artigo publicado por Sofia Esteves para a revista Exame, a mesma afirma: “são muitas as empresas que hoje aplicam critérios meritocráticos em seus sistemas de reconhecimento, recompensa e gestão de carreira, ou seja, que têm como objetivo valorizar e reter os colaboradores que realmente fazem a diferença nos negócios, que garantem os resultados e o crescimento constante da organização”. Se todos forem sempre equiparados sem haver um nivelamento, que estímulo terá aquele que quer fazer a diferença, que quer crescer? Só restará a decepção de saber que, mesmo esforçando-se (e cá entre nós, são poucos que se esforçam) estarão sempre no mesmo nível daqueles que (grande maioria) simplesmente cumprem suas horas ou, às vezes, nem mesmo isso. Portanto, a prova mérito e o bônus são exemplos de análise subjetiva e hipócrita que não deveriam compor jamais essa recompensa. O novo plano de carreira que visa avaliar o profissional através de seu trabalho também é um ponto que pode ser muito discutível, pois a análise pode igualmente ser subjetiva. Cursos, por enquanto, ainda seriam as melhores opções, pois há certificações de suas realizações e demonstra, no mínimo, que o professor ao menos realizou alguma coisa e, principalmente no caso de cursos de pós-graduação, ainda teve que enfrentar avaliações e trabalhos de conclusão, dissertações ou teses. Contudo, o plano de carreira também não leva a esse estímulo de querer estudar. Realização de cursos, dessa forma, mostra a capacidade que um professor quer de buscar aprimoramento por ele mesmo, pois se depender da evolução nada se consegue. Agora, com a nova minuta, pelo menos na minha interpretação, quem realiza mestrado ou doutorado evolui 4 ou 5 níveis acima, respectivamente, ao contrário da antiga onde, independente do nível, poderíamos alcançar APENAS os níveis 4 ou 5, respectivamente. Ainda assim, mesmo que minha interpretação seja a correta, se alguém estiver no nível 4 e entregar título de mestre, alcança o nível 8 e… …nada mais a fazer! É justo? Portanto uma política de evolução deve, incentivar o profissional a crescer, evolui-lo pelo merecimento e, com o perdão de muitos pelo que direi agora, “separá-lo” daqueles que nada querem, afinal, é justo que aquele que nada faz e nada quer realizar uma prova e conseguir algo? É justo que, mesmo que o trabalho seja bom, passe por uma avaliação subjetiva que também o evolua, sabendo que seu trabalho pode ainda ser melhor? Eu que soa meio tecnicista, mas deveria haver uma escala maior e unicamente para cursos e produções de artigos, livros e obras, pois ainda é algo mais certo e concreto que alguém pode conseguir e, como já citei, demonstra até mais esforço para realizar. Cursos precisam ser frequentados e alguns pagos, pós-graduações necessitam de avaliações e trabalhos de conclusão, artigos não são publicados sem a aprovação de um parecerista e, daí surge até uma ideia: revistas certificadas possuem níveis (A1, A2, B1, B2, B3, B4, B5 e C), sendo que a CAPES avalia as publicações dos docentes e discentes nas respectivas categorias, obtendo pontos que podem até descredenciar um curso se a meta não for atingida. Isso é errado? Acho que não… E serve até como ideia para pontuar melhor, sim, aqueles que realizam produções científicas!