Rampa de acesso da Alesp tomada por servidores/Filipe Sousa

Cenas lamentáveis ocorreram na manhã desta terça-feira, 3 de março, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). O Governo de São Paulo, capitaneado pelo senhor João Doria (PSDB), cercou-se de uma verdadeira máquina de guerra para receber os servidores do estado que compareciam àquela casa de leis para acompanhar a votação da reforma da Previdência, que atingirá a totalidade dos servidores paulistas, aposentados ou não.

Isso acontece porque, inclusive, um dos aspectos mais debatidos era exatamente a alíquota de contribuição previdenciária, que acabou subindo hoje, com aprovação do PLC nº 80/19, de 11% para 16% e que abrange o pessoal da ativa e os aposentados, que continuam contribuindo para a Previdência.

Como os mandatários costumam resolver tudo sem ampla discussão com a sociedade, como se fossem os donos da verdade, uma legislação como essa acaba por se tornar foco acirrado de discussão. O governo fechou-se em copas com relação aos seus servidores e abriu um grande leque de dialogo com seus apoiadores. Prepararam tudo para os trágicos acontecimentos de 3 de março.

Não foi a primeira vez que tivemos embates entre servidores e as forças de segurança. Mas o ocorrido na Alesp suplantou tudo o que até hoje aconteceu. A tropa de choque não tomou nenhuma atitude para que os fatos lamentáveis não ocorressem. Com o recinto tomado por servidores, e não abrindo todos os plenários, armaram tudo para o espetáculo dantesco que sucedeu.

Houve irresponsabilidade da mesa diretora ao não suspender a sessão, para que todos os que estavam nos corredores se acomodassem. A antecipação da sessão para o período da manhã foi, aliás, mais um componente para todo o drama. Bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e gás pimenta nos corredores, elevadores e gabinetes tomaram o lugar das discussões de ideias.

Servidores idosos e pessoas com dificuldades de locomoção eram obrigados a se proteger dentro de um local esfumaçado. Colocaram em risco a vida de pessoas que estavam ali para defender, na maioria das vezes, a sua vida profissional e o seu minguado salário.

Falta de competência do governo paulista, ali representado pelo Executivo e por boa parte do Legislativo. Que fatos como esse não venham mais a ocorrer. A verdadeira democracia exige isso.