
Instituições se mobilizam para conscientizar população sobre o combate à doença e, principalmente, motivar os homens a realizarem exames preventivos
O câncer de próstata – glândula localizada na região pélvica do homem – é o câncer mais frequente no sexo masculino, ficando atrás apenas do câncer de pele não menaloma. De acordo com números do Instituto Nacional do Câncer (INCA), cerca de 61 mil novos casos são estimados para 2016. Em todo o mundo o câncer de próstata é o sexto tipo mais comum e representa cerca de 10% do total de cânceres, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Celebrado no Brasil pela primeira vez em 2008, o “Novembro Azul” surgiu na Austrália em 2003, focado especificamente na saúde do homem. O movimento ressalta a importância do diagnóstico precoce no combate ao câncer de próstata, o que aponta para a necessidade de a população masculina realizar exames preventivos regularmente.
“Os homens, em geral, procuram o médico quando já estão num quadro avançado da doença, o que dificulta o tratamento. Mas, se for detectado precocemente, a possibilidade de cura é muito grande. A principal causa dessa demora é cultural, por constrangimento ou vergonha, principalmente para os casos de exames na próstata”, explica Dr. Sergio Ajzen, professor titular do Departamento de Diagnóstico por Imagem da EPM-Unifesp.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), é aconselhável que todos os homens a partir de 50 anos procurem um urologista para definir a rotina de exames, após discutirem suas vantagens e desvantagens. A avaliação deve ser feita através do toque retal e de dosagens sanguíneas de PSA. Aqueles com história de câncer de próstata na família (pai, irmãos, tios) e/ou da raça negra devem iniciar essa avaliação aos 45 anos, devido ao maior risco associado.
Preconceito
A SBU reforça que, embora haja a percepção de que o simples exame de próstata seja imprescindível à identificação do câncer na fase inicial, o toque ainda esbarra na desinformação e na cultura de dois terços dos homens brasileiros, que não se submetem ao teste. O procedimento deve ser encarado da mesma forma que um exame de boca, nariz ou ouvido. “O toque não interfere na masculinidade de ninguém, pelo contrário, é sinal de que o homem está preocupado consigo e com seus familiares.”
Sintomas
O câncer de próstata apresenta crescimento muito lento, podendo levar anos para causar algum problema mais sério. Nas fases iniciais ele é silencioso, não causando nenhum sintoma específico. Por isso a necessidade do rastreamento. Os primeiros sintomas podem surgir durante o crescimento local, quando o tumor comprime a uretra (sintomas obstrutivos) ou impede o fluxo de urina, irritando a bexiga (sintomas irritativos). Entre os sintomas obstrutivos, constam: diminuição do jato urinário; gotejamento após a micção; sensação de esvaziamento incompleto da bexiga; micção em dois tempos. Entre os irritativos: aumento da frequência urinária; urgência miccional; aumento da frequência urinária noturna; incontinência urinária.
Posteriormente podem surgir os sintomas do câncer de próstata invadindo órgãos vizinhos como a bexiga, ureteres ou reto e eventualmente os linfonodos da pelve e do abdômen que incluem: dor pélvica; sangue na urina; inchaço escrotal; dor lombar; inchaço das pernas. A maioria das metástases à distância ocorre nos ossos, principalmente na coluna, quadril e costelas, o que pode ocasionar dor localizada nessas áreas. Nos casos mais avançados a doença causa fraqueza, anemia e reduz o apetite. Entretanto, esses sintomas são inespecíficos. Ou seja, podem estar relacionados a outras causas.
