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Acompanhar e estimular a realização de tarefas escolares é obrigação da família em quarentena

 

Com a suspensão das aulas por causa da pandemia do coronavírus, os pais terão que criar uma rotina de estudos para os filhos em casa. Os responsáveis também deverão aproveitar a oportunidade para estreitar os laços com as crianças, lembrando que não é férias. “A gente precisa retomar algumas questões da oralidade, no contato social mesmo. As pessoas estão deixando de conversar e é uma bela oportunidade para aproveitar melhor o ambiente familiar”, afirma o professor do curso de pedagogia da Universidade Presbiteriana Mackenzie Paulo Fraga da Silva.

 

Segundo Fraga, a rotina deve respeitar os horários que normalmente a criança segue no dia a dia. Caso estude pela manhã, então deverá ser reservado no período matutino um espaço para as atividades escolares. Como tarefas, o ideal é praticar aquelas que podem ser feitas em conjunto. O conteúdo deve seguir a mesma linha do que a criança está aprendendo na escola.

 

“Um bom texto literário é uma maneira adequada. Estimula o cérebro, desenvolve a leitura e também a interpretação”, diz. O professor do Mackenzie lembra que, de forma geral, as crianças já deveriam realizar tarefas fora da escola. “Os pais ou responsáveis devem estabelecer a rotina da casa e a família deve estar comprometida com isso. É, minimamente, o que se exige. É uma forma de cuidado”, explica.

 

O infectologista Hélio Bacha, do Hospital Israelita Albert Einstein, afirma que não basta fechar escolas e que é preciso orientar o destino das crianças. “A casa pode ser até mais insalubre que o colégio”, diz. Também lembra que atividades nos condomínios, como gincanas e monitoria de crianças com aglomeração de pessoas, devem ser evitadas.

 

‘Esforço não pode ser só da Educação’

O subsecretário de articulação da Secretaria Estadual da Educação, Henrique Pimentel, afirma que as famílias terão até sexta-feira para se programar. Segundo ele, é preciso sensibilidade que extrapola o governo para encontrar uma solução. “Esse esforço não pode ser só da Educação. É importante que os pais e responsáveis consigam dialogar com seus chefes. Tem também os arranjos com outros pais, com pessoas que não são de grupos de risco, para cuidar das crianças”, diz Pimentel.

 

Segundo o subsecretário, novas medidas devem ser anunciadas na quinta-feira (19), inclusive sobre a forma da alimentação dos alunos. Na rede estadual, cerca de 600 mil alunos são dependentes do Bolsa Família.

 

Fonte: Agora São Paulo