Foto: Jornal Brasil de Fato

A manifestação de professores da Rede Municipal de São Paulo contra a reforma da Previdência proposta pelo prefeito João Doria (PSDB) terminou em violência na Câmara Municipal de São Paulo. Na tarde desta quarta-feira (14), servidores contrários ao Projeto de Lei nº 621/2016 compareceram à sessão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e foram dispersados com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo usados pela Polícia Militar. 

A confusão ocorreu por volta de 14h, quando uma bomba foi lançada de dentro da Câmara em direção aos manifestantes que ocupavam o Viaduto Jaceguai, no centro de São Paulo. Minutos depois, a Tropa de Choque chegou e lançou mais bombas contra os manifestantes. A polícia e alguns vereadores de situação disseram que houve tentativa de invasão da Câmara, apesar de o espaço ser aberto ao público, especialmente quando assuntos de acentuado interesse público constam na pauta da casa.

Dentro da Câmara, ao menos uma professora foi ferida por agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) durante uma discussão. Luciana Xavier foi encaminhada ao Hospital do Servidor Público Municipal. 

Os vereadores Sâmia Bomfim e Toninho Vespoli, ambos do PSOL, denunciaram nas redes sociais a violência da Guarda Civil Metropolitana e da Polícia Militar, que, segundo eles, reprimiram duramente os manifestantes. Já o líder do governo João Doria, vereador João Jorge, também do PSDB, defendeu o uso da força, alegando que a ação foi necessária para conter manifestantes violentos. 

A assessoria de imprensa da Presidência da Câmara Municipal de São Paulo disse que a Casa atuou desde o princípio para garantir amplo debate democrático e que assegurou o acesso de manifestantes ao plenário onde ocorria a reunião da CCJ e ao auditório externo até a lotação máxima dos dois espaços, para garantir a segurança de todos, inclusive dos próprios manifestantes. Eventuais excessos das forças de segurança que atuam dentro do Legislativo serão apurados.

O parecer do vereador Caio Miranda (PSB) a favor do projeto de Doria foi aprovado por 5 votos a 3 na CCJ. Nesta quinta-feira (15), a comissão realiza uma audiência pública sobre o projeto, que só será votado em plenário na próxima semana. Professores prometem nova manifestação.

GREVE

A greve dos professores da rede municipal de São Paulo atinge 93% das 1.550 escolas da administração direta, ou seja, que são administradas pela própria Prefeitura com o auxílio de funcionários públicos. Das unidades de ensino, 46% aderiram à paralisação totalmente, 47% funcionam parcialmente e apenas 7% funcionam normalmente, de acordo com balanço fornecido pela própria Secretaria Municipal de Educação nesta terça-feira (13).