Ao saber das atividades realizadas na E.E. de Ensino Fundamental Brasílio Machado, na Vila Madalena, zona oeste da capital paulista, focadas na erradicação do preconceito e do bulling, o CPP apressou-se em conhecer as ações e seus protagonistas.

Essa é uma história de sucesso. Um excelente exemplo, muito fácil de ser seguido.

Tudo começou na sala de leitura, com a iniciativa de Jô Pereira, mãe da aluna Maria Julia Silva Vieira, de 7 anos, que, por meio do livro “O cabelo de Lelê”, apresentou aos pequenos estudantes as variedades estéticas e as características dos cabelos crespos, encaracolados, típicos da beleza negra. Na sequência, a turma do 3º B pôde participar de uma oficina cultural onde aprenderam a refletir acerca da cultura africana, a valorização racial, a conhecerem melhor o legado africano e, também, chamar a atenção dos pequenos estudantes para a prevenção contra o bullying e o preconceito.

 

A educação pode, de forma afetuosa, mudar o quadro de intolerância e racismo

“Sou negra. Tenho uma filha negra, a Maria Júlia, que sofria racismo num espaço onde a maior parte das crianças também são negras. E se há crianças negras fazendo replicação, alguma coisa está errada. Diante disso, conversei com a diretora Simone e criamos, então, essa ação de combate ao racismo voltada às crianças; algo participativo, mas com sensibilidade. Creio que é importante que o professorado busque informações. Por que não conhecer as famílias negras das escolas, trazer os pais para apresentar essa herança cultural? Eu vejo que a gente pode emponderar essas crianças de forma muito mais rica do que tudo isso que a gente está vivendo na sociedade de hoje, com intolerância, ódio e desprezo. Eu vejo que só a educação, com informação, pode reverter isso.” Jô Pereira, arte-educadora, trabalha em dois núcleos de arte educação.

 

Somos diferentes. Nem melhores, nem piores. Apenas diferentes.

“Acreditamos que a forma de resolver o preconceito é por meio do entendimento e do respeito. E só respeitamos o que conhecemos. Então, precisamos conhecer as diferentes culturas. Partimos deste princípio; somos diferentes. Nem melhores, nem piores. Apenas diferentes. Desenvolvemos projetos acerca da diversidade. Temos a cultura afro-brasileira, a japonesa, as pessoas que migram do nordeste. O Brasil tem uma diversidade imensa. Entre outras ações temos o Projeto Comunidade Protagonista, quando ouvimos as demandas dos pais e procuramos as soluções”. Simone Santoro Romano, diretora da Brasílio Machado. Tenho os meus “braços direitos”: Célia Aparecida Oliveira, vice-diretora; Regina Helena Reis S.Aires, coordenadora geral e Maria de Fátima T. e Silva, professora e Coordenadora de Área.

Essa turma aprendeu como colocar-se no lugar do outro

Diante da pergunta: o que você achou da iniciativa da mãe da Maria Júlia a galerinha do 3º B respondeu:

Juan Martins dos Santos, 7 anos: não importa o cabelo. Cada pessoa nasce de um jeito. Não é para rir dos cabelos delas. Se você tivesse um cabelo diferente, o que falariam de você?

Leandro Santos Silva – 7 anos – Vou dar um exemplo. O Davi. Quase todo mundo chama ele de japonês. Só porque o avô dele é japonês. Acho muito errado. Ninguém é igual a ninguém.

Maria Júlia Silvia Vieira – 7 anos – filha da Jô Pereira. Achei muito legal. Muita gente tem cabelo diferente. Uns alisados, outros crespos, encaracolados. Muita gente sofria porque caçoavam da cor da pele, do cabelo. Eu sofria também. Então, minha mãe ficou sabendo e teve essa iniciativa para todos da escola perceberem que era errado e para que não aconteça mais.

 

A Escola Estadual de Ensino Fundamental Brasílio Machado fica na rua Morás, 630 – Vila Madalena, São Paulo – SP.