Pesquisa divulgada pelo Instituto Inspirare mostra que os jovens não estão satisfeitos com a escolas brasileiras, o que envolve aulas e material pedagógico. “Os alunos demonstram claramente que não estão felizes com a forma como o ensino e a aprendizagem ocorrem”, diz Anna Penido, diretora do instituto. De acordo com Anna, os alunos reclamam da inadequação das aulas e do material didático e afirmam que as relações entre eles e os professores “não é legal”.
 

Feita em parceria entre o portal Porvir, programa especializado em inovações educacionais do Instituto Inspirare, e a Rede Conhecimento, a pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção mostra que um em cada 10 jovens que responderam ao questionário está satisfeito com as aulas e o material pedagógico.
 

Para o levantamento, foi usada a metodologia participativa com a qual foram ouvidos 132 mil adolescentes e jovens de 13 a 21 anos de todas as regiões do País. Mais de 85% dos entrevistados são da Região Sudeste; 9,4% do Centro-Oeste, 3,6 do Sul, 14% do Nordeste e o 0,2% do Norte.

Oito em cada 10 entrevistados disseram que as relações dos alunos com a equipe escolar e com os colegas precisam melhorar. Apesar das críticas, os estudantes ouvidos na pesquisa demonstram que ainda têm vínculo afetivo com o espaço escolar: 70% deles gostam de seus colégios e 72% dizem que aprendem lá coisa úteis para sua vida.
 

“Eles gostam da escola, eles não desistiram dela. Eles querem que a escola seja diferente, mas que continue existindo. A escola se desconectou da realidade desses alunos, e agora, para se reconectar, vai ser importante escutá-los, ver porque não estão aprendendo”, frisou Anna.
 

Jovens querem interação e tecnologia

Para a diretora do Inspirare, no mundo todo, vive-se atualmente a maior crise do modelo educacional desde que se criou a escola como existe hoje. “A escola atual foi construída na Revolução Industrial para educar as pessoas em larga escala, um modelo mais padronizado para educar muita gente do mesmo tempo.”
 

A estrutura física das escolas também é motivo de descontentamento. Para metade dos entrevistados, a sala de aula tradicional, com carteiras dispostas em filas, não faz parte da escola dos sonhos. Os alunos ouvidos na pesquisa expressaram a vontade de diversificar o local em que estudam. As opções mais populares são o uso de ambientes internos e externos e de móveis variados, como pufes, bancadas, almofadas e sofás, dispostos em diferentes configurações. Os entrevistados não querem estudar apenas em lugares fechados: 44% sonham com uma escola com bastante área verde.

A pesquisa revela ainda que 36% dos estudantes consideram que “atividades práticas ou resolução de problemas” os faria aprender mais e 27% entendem que o uso da tecnologia contribui para a aprendizagem. Para 51%, a tecnologia não deveria se restringir a laboratórios de informática, mas também estar presente nas salas de aula e em outros ambientes.

Fonte: Metrô News