Rafael Assenso e Nathália Souza | Foto: Leandro Silva

Após desenvolver um projeto de iniciação científica no laboratório da Escola Estadual Alexandre Von Humboldt, em São Paulo, Nathália Souza de Oliveira, 17 anos, conseguiu criar um monitor cardíaco para ajudar pessoas com sonambulismo. Foi a partir desse fato que uma multidão de jornalistas destacou o projeto. Globo, SBT, Bandeirantes, Record, Cultura, os principais jornais especializados e até a BBC quis saber acerca da invenção que ajuda sonâmbulos a evitarem acidentes domésticos.
 

“Tudo começou a partir da minha entrada nas disciplinas eletivas, quando podemos escolher algo relacionado à área em que pretendemos trabalhar. No meu caso é medicina. Escolhi, então, o distúrbio do sono porque a “neuro” é a minha área predileta. Encontrei os problemas do sonambulismo. Minha ideia foi criar um monitor que pudesse ajudar a pessoa que sofre do distúrbio a evitar acidentes, porque ao sofrer o transtorno a pessoa pode fazer atividades inconscientes e expor-se ao perigo. Então criei um monitor capaz de captar os batimentos cardíacos que aparecem num computador ou no smartphone como um eletrocardiograma. O aplicativo, usado como uma pulseira, envia um alerta à família. Há também a opção de despertar a pessoa por meio de uma vibração mecânica na pulseira”, explica Nathália.  
 

Se voltarmos os olhos para as condições que levaram Nathália ao merecido sucesso, encontraremos dois princípios prevalecentes: a estrutura da escola e o apoio dos professores. Nathália, que é filha de professora de escola pública, reconhece.
 

“Outro dia um rapaz que tem sonambulismo chegou aqui na escola com o joelho inchado, com muitos machucados, dizendo que tinha visto a entrevista da Nathália no programa da Fátima Bernardes. Queria comprar o monitor. Durante esses dois anos e meio acompanho a dedicação da Nathália, as pesquisas, o empenho em envolver-se com as pessoas com problemas de sonambulismo, enfim, todo o esforço dela refletido na criação do projeto”, conta Rafael Assenso, professor de física do 2º e do 3º ano, que orientou a aluna na criação do monitor e que coordena o desenvolvimento do projeto de iniciação científica.
 

Outro apoio fundamental veio de  Cleber Polece. “Eles chegaram com o projeto quando precisavam passar para a parte eletrônica. Minha ajuda foi com a informática e a programação”, relembra o professor de matemática.
 

A diretora da escola, Maria de Fátima Braz Aragão Rizzo, associada do Centro do Professorado Paulista, revela a estrutura que alavancou o projeto.
 

“O trabalho diferenciado da Alexandre Von Humboldt é composto por uma gestão democrática. Uma equipe de profissionais dedica-se muito, com foco nos alunos constantemente monitorados. São 9 horas diárias de trabalho permanente e exclusivo porque os alunos não são números nesta escola. Há iniciação científica em todas as disciplinas como resultado do empenho de uma equipe que se doa por inteiro para dar um suporte singularizado”, conclui a diretora. A escola, de período integral, possui 483 alunos divididos em 12 turmas.  

O monitor cardíaco para sonâmbulos deverá ser testado por uma empresa norte-americana em pacientes que sofrem de sonambulismo.


 

Escola Estadual Alexandre Von Humboldt
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